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Na piscina, Brasil conta com equipe afinada nos 4x100m livre na luta por medalha

(Foto: Arquivo EBC) - Na piscina, Brasil conta com equipe afinada nos 4x100m livre
(Foto: Arquivo EBC)

Com Marcelo Chierighini, Nicolas Nilo Oliveira, João de Lucca, Matheus Santana e Gabriel Santos, o Brasil tem a expectativa de brigar até o final por uma medalha no revezamento 4x100m livre no segundo dia de disputas da natação. As eliminatórias serão realizadas a partir das 15h05 e a final tem horário previsto para 23h52 deste domingo. São 16 países e o Brasil entra com o quinto melhor tempo.

“O Brasil está como quinta força, mas a gente sabe que tem duas equipes que estão um pouco acima das demais, que é a França e Austrália”, diz Alberto Silva, coordenador da equipe masculina de natação. Segundo ele, os australianos têm uma peça “que pode fazer a diferença”: Cameron McEvoy.

Albertinho sabe que os resultado nos últimos meses não foram dos mais animadores, mas vê o Brasil em condições. “A gente está otimista, mas não vamos ser hipócritas também. O Brasil não está entre as três maiores forças, nem durante o ano, nem colocando agora no papel. Mas estamos na briga. Como a natação você decide na hora, um talento pode fazer a diferença e mesmo em um dia ruim dá a vitória. Por isso, no revezamento as quatro peças têm de funcionar muito bem.”

Para que sua engrenagem esteja redonda, Albertinho levou os atletas para Los Angeles, nos Estados Unidos, e fez um trabalho específico com os nadadores do revezamento. “A preparação foi ótima. A gente foi para Los Angeles, para fechar o time, ficar focado, conhecer a braçada de cada um, para fazer as trocas legais”, conta Chierighini, o mais rápido do grupo e esperança maior para fazer a diferença na prova.

Ele vê o Brasil em condições de lutar em igualdade de condições com as maiores potências e vê na força do conjunto a arma da seleção. “A equipe está muito forte, muito unida, como nunca esteve. Está todo mundo nadando muito rápido, então está tudo bem. Se todo mundo der o melhor, temos chance de medalha”, avisa.

ADVERSÁRIOS - Para a comissão técnica da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos), dois países estão mais à frente dos demais: a Austrália de McEvoy e a França de Florent Manaudou e Jeremy Stravius. Já os Estados Unidos contam com um conjunto forte, de tradição, enquanto a Rússia também tem bons tempos. O que pode afetar os russos é o lado psicológico, por causa da confusão do doping no país.

“O Brasil vem atrás dessas equipes, mas como é muito próximo, a gente está tentando tirar o máximo de vantagem nas trocas. Treinamos muito bem e entrosamos o time, que passou uma semana junto”, comenta Albertinho, que garante que o segredo de uma boa equipe não é apenas a velocidade, mas o entrosamento entre os atletas do quarteto.

“Os quatro nadadores precisam funcionar naquela hora, para tirar um pouquinho a mais numa saída, numa virada, com aquela coisa de estar no seu país. O estádio pode ajudar. Isso pode dar forças para aguentar mais, bater mais perna no final, e o pouquinho que se tira numa transição pode fazer a diferença.”

Por causa dessa diferença pequena, na qual centésimos de segundos podem definir uma medalha, os treinadores fazem mistério em relação à ordem dos nadadores na prova, que, segundo eles, neste caso altera o produto. Mas, em linhas gerais, o atleta mais rápido da equipe larga como primeiro, ou fecha o revezamento.

A estratégia também é definida pela escolha dos rivais. Segundo Albertinho, se um atleta como Manaudou vai abrir o revezamento da França, ele pode optar por um jovem que, na empolgação, pode conseguir acompanhar o ritmo do rival. “Revezamento é um jogo de xadrez. Se eu coloco a ordem, o adversário faz a marcação”, conta.

A tendência é que, na eliminatória, o Brasil use Gabriel Santos, que é reserva da equipe, e poupe João de Lucca ou Nicolas Nilo, pois ambos disputam um pouco antes os 200m livre. “Fiz a preparação sabendo que o dia 7 seria um rojão, pois tenho eliminatória dos 200 m livre e o revezamento. Mas toda minha preparação foi feita sabendo que eu ia encontrar essa pedra grande no caminho”, diz João.

MOTOR A DIESEL - O atleta brinca e garante que será uma prova de fogo, mas que não vê a hora dela começar. “Estou bem preparado, foi para isso que me preparei. Como diz meu técnico, o meu motor é a diesel. Ele demora para esquentar, mas quando pega no jeito ele vai embora”, explica.

Nilo também se mostra otimista para a competição. Ele acabou de completar 29 anos, mas se sente um garoto. “Eu estou brincando que acho que estou ficando mais velho, mas as coisas estão acontecendo para mim de uma forma muito natural. Nunca estive tão bem, e isso não é papo. Nunca estive tão confiante de que vai ser a competição da minha vida.”

O nadador explica que muitas vezes a força está mais na cabeça do que no corpo, por tudo que o atleta precisa abrir mão para se dedicar ao esporte. Ele conta que é preciso saber lidar com os desafios que aparecem e que o mais importante é se manter focado. “São vários obstáculos, mas não tenho dúvida nenhuma que está todo mundo no auge.”

Nilo está há 13 anos na seleção brasileira e só ficou fora do revezamento no ano passado, no Mundial de Kazan. “Posso falar com toda certeza que eu nunca vi esse revezamento tão unido e nunca vi cada um se preocupando tanto com o outro. Já posso falar que, independentemente de resultado, por ser um dos mais velhos dos meninos, estou extremamente orgulhoso por ver a forma como as coisas estão caminhando. Para mim, finalmente posso falar que o revezamento do Brasil é uma equipe é bem bacana.”

Já Matheus Santana também pode ajudar o Brasil na competição. Ele está escalado apenas para o revezamento e tem potencial para repetir tempos rápidos. O atleta da Unisanta tem no currículo uma medalha de ouro no Mundial Júnior, quando quebrou pela terceira vez o recorde nos 100 m livre com o tempo de 48s25 na categoria.