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Novos testes apontam 31 casos de doping em Pequim e podem tirar atletas do Rio

Depois de refazer testes de doping com amostras que haviam sido guardadas de atletas que competiram nos Jogos de 2008, o Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou nesta terça-feira que 31 deles podem ser impedidos de competir no Rio de Janeiro, em agosto, após as novas análises darem positivo.

A informação foi revelada nesta terça, depois que a entidade realizou uma reunião especial para avaliar a questão do doping. Mergulhada em uma crise depois das revelações sobre como o governo russo contribuiu para encobrir casos de doping para ajudar seus atletas nos Jogos de Inverno de Sochi, em 2014, o COI está sendo pressionado a dar uma resposta.

No total, 454 amostras colhidas nos Jogos de Pequim, em 2008, foram reexaminadas e a iniciativa foi concentrada em atletas que potencialmente poderiam participar do evento no Rio. Oito anos depois do primeiro teste com as mesmas amostras, o COI agora usou novas tecnologias e concluiu que 31 casos de seis esportes deram resultados positivos.

Sem revelar os nomes dos envolvidos, o COI indicou que os atletas são de 12 países diferentes. Processos foram iniciados para examinar os casos. "Todos aqueles que violaram as regras serão proibidos de competir no Rio", declarou o COI em um comunicado.

A entidade ainda promete testar outras 250 amostras de atletas que estiveram nos Jogos de Londres, em 2012. "O objetivo é o de impedir que alguém que esteja violando as regras de competir no Rio", declarou a entidade.

Outra iniciativa prometida pelo COI é o de refazer os testes em todos os medalhistas de Pequim e de Londres. Isso pode ser encarado como uma demonstração do impacto que as revelações sobre o doping no esporte russo teve na entidade. Até mesmo os atletas que ganharam medalhas graças à desclassificação de outros por doping também terão seus exames reexaminados.

O COI ainda anunciou que vai iniciar uma ampla investigação sobre o laboratório de Sochi, usado para testar os atletas nos Jogos de Inverno de 2014. O jornal norte-americano New York Times revelou na semana passada como as próprias autoridades contribuíam com o esquema de doping sistemático e chegavam a trocar a urina testada.

O comitê ainda vai instruir o Laboratório de Referência, com sede em Lausanne, a refazer os exames em amostras que foram colhidas em Sochi. Pelas regras, essas amostras ficariam guardadas por dez anos. Com o passar do tempo, testes mais sofisticados seriam capazes de identificar substâncias que, na época, não foram detectadas.

Com base nessa avaliação, o COI promete adotar medidas. A entidade está sendo pressionada a suspender a Rússia dos Jogos do Rio. "Todas essas medidas tem como meta impedir que aqueles que violam as regras possam vencer", disse Thomas Bach, presidente do COI.

"Nós mantemos as amostras por dez anos para garantir que aqueles que violam as regras jamais possam descansar", disse. "Ao parar tantos atletas de competir no Rio, estamos mostrando nossa determinação em proteger a competição ", completou Bach.