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Paes repete críticas ao Governo do Estado: 'Está fazendo trabalho horrível'

Foto: Beth Santos/ PCRJ - Paes faz críticas ao Governo do RJ: `Está fazendo trabalho horrível`
Foto: Beth Santos/ PCRJ

Dois dias após fazer duras críticas ao governo do Estado do Rio, o prefeito da capital fluminense, Eduardo Paes (PMDB), repetiu a postura em entrevista exibida nesta segunda-feira pela rede de TV norte-americana CNN. Referindo-se à segurança pública, Paes afirmou que "esse é o assunto mais sério do Rio, e o Estado está fazendo um trabalho terrível, horrível. O governo está falhando completamente em seu trabalho de polícia, em tomar conta da segurança pública". O governo estadual avisou que não vai responder às críticas.

Aliado histórico do governo estadual nas gestões de seus correligionários Sérgio Cabral (2007-2014) e Luiz Fernando Pezão (que, como vice de Cabral, assumiu o governo em 2014 e foi eleito governador para a gestão 2015-2018), Paes passou a fazer severas críticas ao Estado em relação à falta de segurança e aos problemas financeiros, que podem afetar a conclusão das obras de extensão do metrô até a Barra da Tijuca (zona oeste), onde fica o Parque Olímpico.

Na entrevista à CNN, o prefeito afirmou que "felizmente" a segurança do Rio durante a Olimpíada não ficará apenas a cargo do Estado. "Teremos a Força Nacional aqui, o Exército, a Marinha. Todos estarão aqui. Como você sabe, a questão da segurança não é uma responsabilidade da prefeitura, mas do governo do Estado", completou.

Questionado se ele teme pela segurança dos moradores do Rio durante a Rio-2016, Paes afirmou: "Não estou preocupado se eles (cidadãos) ficarão abandonados durante os Jogos Olímpicos. Eu estou preocupado se eles ficarão abandonados todos os dias em suas vidas".

Ao abordar a incidência do vírus da zika, o prefeito afirmou que está enfrentando o problema, que existe também em outras partes do mundo, como os Estados Unidos. "Se você é americano, não vá à Flórida, porque lá há mais casos de zika do que no Rio atualmente. Não estou dizendo que não é um problema, porque é. Mas nós estamos enfrentando. Essa é a época do inverno por aqui e o clima fica mais favorável ao combate ao mosquito", afirmou.

Durante evento no Rio nesta segunda-feira, Paes voltou a mencionar a crise da segurança pública, mas amenizou a crítica ao governo estadual: "A segurança não é um problema olímpico. Segurança pública é o principal problema do Rio desde sempre, desde muito tempo. É um problema para todos nós, sempre. Nós passamos por um momento ruim, mas tenho muita confiança no governo do Estado. Eu fiz uma reclamação no último fim de semana em relação à postura e ao procedimento, mas nós vamos trabalhar em parceria", disse. "Temos que olhar pra frente. Dificuldade todos temos e não dá para a gente ficar chorando as dificuldades. Eu tenho muita confiança na capacidade do governador (Francisco) Dornelles de superar esses desafios, no secretário (de Segurança, José Mariano) Beltrame", afirmou. Dornelles (PP) assumiu o cargo interinamente porque Pezão se licenciou para combater um câncer.

LEMBRE - No último sábado , Paes elevou o tom das críticas ao Estado: afirmou que o governo deve "tomar vergonha na cara" e "arregaçar as mangas". As afirmações foram feitas um dia após o roubo do equipamentos de duas emissoras de TV alemãs e depois de declarações do secretário de Estado de Saúde, Luiz Antônio Teixeira Júnior, que se queixou das dificuldades por que passa a pasta, com risco de fechamento de hospitais durante a Olimpíada.

Para o prefeito, o "chororô" em torno da crise financeira do Estado está prejudicando a organização da Olimpíada. "Já deu. O Estado já passou muita responsabilidade para o município. Eles já receberam dinheiro do governo federal. Está na hora de fazer gestão, de tomar vergonha na cara e cumprir com suas obrigações. É um absurdo um secretário dizer isso a essa altura do campeonato. Vai aprender a gerenciar, vai economizar custo", afirmou o prefeito, que participou na manhã deste sábado de reunião com seus secretários. Para Paes, se os hospitais fecharem mesmo após a ajuda do governo federal, "é melhor pedir o boné e ir embora, se demitir".

O prefeito se referiu ao repasse de R$ 2,9 bilhões do governo federal para a segurança dos Jogos Olímpicos. O prefeito lembrou que já assumiu a administração de dois hospitais estaduais.

Ao comentar o roubo dos equipamentos de TV, avaliados em R$ 1, 4 milhão, Paes manteve o tom crítico: "A gente passou do ponto. Está no limite, falta o mínimo de comando, não pode virar esse desmando no Rio. Não pode falar que é problema social porque problema social também tem em São Paulo e a gente não vê isso. Tem em Recife, em Belo Horizonte, e a gente não vê isso. O que a gente espera das forças policiais do Estado é que elas cumpram suas obrigações. Ao menos essa obrigação."