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Palco de 4 modalidades da Olimpíada, Riocentro apresenta falhas em sua segurança

(Foto: João Paulo Engelbrecht/ PCRJ) - Palco de 4 modalidades da Olimpíada, Riocentro apresenta falhas
(Foto: João Paulo Engelbrecht/ PCRJ)


A lição deixada em 1981 parece não ter sido absorvida ainda no Riocentro, 35 anos depois. Faltando apenas cinco dias para a abertura dos Jogos Olímpicos, o local de competições de quatro modalidades esportivas até tem máquinas de raio X em sua entrada principal, mas elas estão desligadas por falta de mão de obra. É possível entrar com praticamente qualquer coisa dentro da mochila - de uma simples garrafa de um refrigerante concorrente do patrocinador a algo que pode causar um estrago muito maior.

Na manhã deste domingo, a reportagem do Estado esteve no Riocentro e encontrou um cenário preocupante. Na entrada pela rua Abraão Jabour, um soldado da Força Nacional até se preocupou com o detector de metais, a ponto de pedir que o repórter tirasse o cinto que fazia o dispositivo apitar. A mochila, com eletrônicos, passou por fora do detector. Foi vistoriada por uma rápida e superficial passada de olhos. Não havia, ali, máquina de raio X.

Do portão na Abraão Jabour até dentro da quadra onde vão acontecer os jogos de badminton, a reportagem não encontrou absolutamente nenhum voluntário ou membro da organização, apenas uma dúzia de funcionários terceirizados. A reportagem pôde caminhar pela arena abrindo portas e acessando áreas que deveriam estar protegidas, como a casa de força. Não havia ninguém para impedir.

Pelo que contaram funcionários do Pavilhão 5, reservado a treinos de modalidades de combate e do levantamento de peso, o lockdown do Riocentro já foi realizado. Isso significa que todo o complexo já foi vistoriado e não o será de novo. Algo deixado lá agora, lá poderá ficar até a Olimpíada.

Na portaria principal, na Avenida Salvador Allende, homens da Força Nacional reclamaram que não têm capacitação para operar a máquina de raio X, que ainda está no plástico. Na sexta, entretanto, o governo federal rompeu com a empresa que deveria fazer o serviço, depois que ela contratou apenas 500 dos 3.400 agentes planejados. Agora, a própria Força Nacional vai operar os aparelhos. Se no Parque Olímpico eles são vistos aos montes, no Riocentro podiam ser contados nos dedos.

A reportagem questionou a Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos (SESGE), ligada ao Ministério da Justiça, que preferiu não comentar o caso. O Riocentro, vale lembrar, foi alvo de uma tentativa de atentado a bomba durante o show do Dia dos Trabalhadores de 1981. Só uma pessoa morreu.