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Perto do sonho, Brasil busca contra a Alemanha o ouro inédito em Jogos Olímpicos

(Foto: Rio 2016) - Brasil busca contra a Alemanha o ouro inédito em Jogos Olímpicos
(Foto: Rio 2016)

Um antigo sonho do futebol brasileiro pode se tornar realidade neste sábado, no mais emblemático estádio de futebol do planeta: a seleção olímpica enfrenta a Alemanha no Maracanã, às 17h30, em busca do inédito e histórico ouro olímpico. É o único título que falta a um País outrora acostumado a conquistas, mas que faz algum tempo nada ganha.

Se vier, a medalha vai consagrar uma nova geração de jogadores, um técnico desconhecido até pouco tempo atrás e sobretudo um jogador, o craque do time: Neymar. Medalhista de prata quatro anos atrás, em Londres, o capitão Neymar preparou-se especialmente para a Olimpíada. Quer fazer dela a porta de entrada para a história e admite: “Não vai ter outra chance melhor, outro momento que seja melhor do que esse".

O Brasil já tem cinco títulos de Copa do Mundo, ganhou Copa América, Copa das Confederações, competições diversas. Falta-lhe, porém, o ouro olímpico. Uma medalha que já escapou três vezes em finais - Los Angeles-1984, Seul-1988 e Londres-2012. Por isso conquistá-lo, ainda mais em casa e com o ingrediente extra de a decisão ser contra a Alemanha, será consagrador.

Embora jogadores e comissão técnica se desviem do tema, a torcida brasileira quer vingança pelos 7 a 1 impostos pelos alemães à seleção na semifinal da Copa do Mundo de 2014. O desejo de revanche ficou claro durante os 6 a 0 sobre Honduras na semifinal, quando o Maracanã cantou “Ô Alemanha, pode esperar! A sua hora vai chegar!", e ganhou importância no imaginário dos torcedores nos dias que antecederam a decisão.

“Sei que (o jogo) nos remete a uma história recente, mas não temos nada a ver com isso. Vamos viver a nossa história", disse o técnico Rogério Micale. “Não temos de pensar em revanche, temos de pensar no ouro", acrescentou o meia Renato Augusto.

O Brasil chega embalado à decisão. Após dois empates iniciais por 0 a 0 com África do Sul e Iraque, com futebol contestável, venceu seguidamente Dinamarca (4 a 0), Colômbia (2 a 0) e Honduras (6 a 0). São 12 gols marcados e nenhum sofrido, única defesa invicta e melhor da competição.

Contra os habilidosos, perigosos e entrosados alemães, a seleção vai manter o esquema ofensivo que vem dando certo. Rogério Micale repete a escalação das outras partidas com quatro jogadores de ataque, apenas um volante específico (Walace), mas que prima pela mobilidade e disciplina tática. “Temos uma essência ofensiva e não vamos mudar. O time tem de ser equilibrado, mas sem abandonar nossa essência", disse.

IDEALISMO - Rogério Micale é humilde, mas tem suas pretensões. Uma delas é que o ouro possa recolocar o futebol brasileiro no caminho do jogo bonito, bem jogado como ele mesmo define. Com carreira forjada em categorias de base, só está no comando do time (que treina há um ano) na Olimpíada porque Dunga foi demitido e Tite não quis assumir o cargo. E sonha em passar de ilustre desconhecido a treinador que ajudou a levar o Brasil ao único título que faltava em sua galeria.

O treinador prevê uma partida duríssima contra um adversário que chega igualmente forte na decisão, consequência de uma campanha semelhante à do Brasil: dois empates nas duas primeiras partidas e quatro vitórias, com 21 gols marcados (melhor ataque) e 5 sofridos. “Conheço a Alemanha não por essa equipe, mas pelo modelo de jogo adotado em todas as categorias. Procura ter domínio com a posse de bola, com os três homens da frente afunilando e dando espaço para a passagem dos dois laterais. É um jogo perigoso", analisou.

O jogo perigoso pode também ficar nervoso. Rogério Micale tem consciência disso, mas acredita que os jogadores estão preparados para suportar a pressão de uma final em casa e que o horizonte acena com a consagração do ouro, mas ameaça com a decepção da prata. “O Brasil chega a essa final forte por tudo o que aconteceu no início e no desenrolar da competição", assegurou.

Atual campeã do mundo, a Alemanha também luta por um ouro que ainda não tem. O título de 1976, em Montreal (Canadá), foi conquistado pela Alemanha Oriental, que tinha um time experiente, mas amador em função do regime comunista. A rigor, os alemães têm apenas uma medalha olímpica, um bronze ganho em Seul-1988.

O Brasil, por sua vez, é o recordista em medalhas olímpicas no futebol masculino, pois ao chegar à decisão de hoje assegurou a sua sexta - tem também os bronzes de Atlanta/1996 e Pequim/2008. Tal marca, porém, terá a importância bem reduzida no caso de outra prata para a coleção.