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Polícia usa bala de borracha e spray de pimenta em ato contra a tocha olímpica

Foto: Ricardo Cassiano/ Prefeitura do Rio - Polícia usa bala de borracha e spray de pimenta em ato contra a tocha
Foto: Ricardo Cassiano/ Prefeitura do Rio

Para reprimir um ato de professores durante a passagem da tocha olímpica por Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, a polícia usou balas de borracha e spray de pimenta. A tocha passava pela Avenida Expedicionário José Amaro, no bairro Vila São Luiz, e era esperada por um grupo de professores, que protestavam contra o parcelamento de salários.

Os policiais dispersaram os manifestantes com truculência, segundo mostram vídeos compartilhados nas redes sociais. Pelo menos duas pessoas ficaram feridas e duas passaram mal com o spray inalado. O percurso da tocha foi modificado por causa da manifestação.

Um dos vídeos mostra um policial disparando bala de borracha numa professora, e ela caída no chão. Um manifestante, ferido, caminha com dificuldade enquanto segura a perna direita. Faixas diziam "Da tocha eu abro mão, do pagamento em dia, não". Em São João de Meriti, cidade da Baixada para a qual a tocha seguiu, também houve protesto: manifestantes atiraram copos e garrafas de plástico em um dos condutores.

De acordo com o Comitê Rio-2016, o protesto em Duque de Caxias, que ocorreu no início da tarde desta quarta-feira, 3, deslocou o revezamento da altura do número 1730 da Avenida Expedicionário José Amaro para a altura do número 1200, aproximadamente.

O professor Marcos Luis Oliveira contou que o protesto foi reprimido com violência tanto pela Força Nacional de Segurança quanto pela Polícia Militar, que usou gás lacrimogêneo, além do spray de pimenta, causando irritação nos olhos de adultos e crianças - movimentos estudantis também participavam do ato.

"Um aluno ficou ferido no joelho e uma professora passou mal com o gás e teve que ser socorrida", disse Oliveira, que é um dos diretores do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação em Caxias (SEPE Caxias). Outra profissional teve convulsão nervosa.

A professora Juna Cruz relatou que a manifestação era contra o parcelamento dos salários do funcionalismo pela prefeitura de Duque de Caxias, há dois meses. "A repressão não foi só porque era a passagem da tocha, mas porque se tratava de um ato dos profissionais de educação. A realização da Olimpíada só serve para gerar lucro para as classes hegemônicas. Para as classes populares, além de não haver um retorno, ainda há um custo: a prefeitura de Caxias pagou R$ 200 mil para a passagem da tocha na cidade, e, enquanto isso, as escolas estão sem material e os alunos, sem uniforme."

A Polícia Militar do Rio informou, em nota, que houve apenas um "princípio de tumulto" durante a passagem da tocha pela Praça da Bandeira, em Caxias mas que foi rapidamente controlado pelos agentes.