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Rafaela Silva está na Marinha Brasileira há dois anos

(Foto: Divulgação/COB) - Rafaela Silva está na Marinha Brasileira há dois anos
(Foto: Divulgação/COB)

Terceiro sargento da Marinha do Brasil (MB), Rafaela Silva, gosta muito do elegante uniforme branco que a identifica como parte do pessoal da força naval. O vestido é usado pouco, só mesmo para festas e solenidades. Rafaela, ganhadora do ouro na categoria até 57 quilos do judô feminino nos Jogos Olímpicos, é praça graduada ou suboficial especial e, para as tarefas diárias, prefere o seu traje de trabalho - um quimono. De combate, claro.

Na segunda feira, a sargento não "bateu" continência no alto do pódio. Mais tarde, comendo um hambúrguer triplo com batatas fritas, Rafaela justificou-se: teve medo de perder a medalha por causa do gesto.

A relação de Rafaela com a Marinha começou em 2014, quando foi integrada ao Programa Olímpico. No Rio, há 145 atletas militares na delegação brasileira. Uma chegada formal, por meio de Edital Público do Ministério da Defesa e, embora a lutadora de 1,69m já trouxesse com ela a medalha de prata dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, um Mundial e vários títulos internacionais, teve de passar pelos 45 dias do rigoroso EHP, o Estágio para Habilitação de Praças.

No Centro de Educação Física, Rafaela encarou a dureza das provas de resistência física, sobrevivência, condicionamento, tiro. Não houve nenhum problema para a menina da Cidade de Deus, lembram seus companheiros do Cefan - houve “até uma certa facilidade”, nos exercícios de autodefesa ou de neutralização de oponentes.

Rafaela seria envolvida em uma eventual mobilização de emprego da força? É pouco provável, explicou um oficial da reserva ligado ao setor esportivo. A judoca é uma contratada temporária da Defesa, com claros objetivos a serem atingidos no aperfeiçoamento de sua especialidade. “Se o trabalho produzir conhecimento e informações que possam ser transferidos para a tropa, tanto melhor.”

Embora à disposição da Marinha, e recebendo soldo de cerca de R$ 3 mil, Rafaela Silva segue orientação técnica da Confederação Brasileira de Judô, que programa os locais e os tipos de seus dois turnos diários de treinamento. Ela pode usar quaisquer instalações e recursos da MB. As práticas são físicas e táticas, com apoio médico, odontológico, fisioterápico e nutricional. Há mais: um amplo sistema eletrônico monitora a performance, mede o desempenho e projeta a evolução da judoca.