28°
Máx
17°
Min

Seleção feminina de handebol encara Angola e sua 'grande' goleira nesta sexta

Foto: Flavio Florido/Exemplus/COB - Seleção feminina de handebol encara Angola nesta sexta-feira
Foto: Flavio Florido/Exemplus/COB

Angola passou a dar medo no handebol feminino apenas na última semana. Antes saco de pancadas, a equipe africana cativou a torcida na Arena do Futuro, durante os Jogos Olímpicos do Rio, a ponto de fazer o Brasil se preocupar para o jogo desta sexta-feira, às 9h30, principalmente pela dificuldade como fazer gol em duas goleiras de quase 100 kg. Teresa e Neyde “tapam” o gol com o tamanho avantajado.

As duas ajudaram Angola a se transformar no xodó da torcida. Os gritos de “eu sou angolano com muito orgulho e muito amor” levaram a antiga zebra a bater a Romênia na estreia, quando a goleira Teresa, a Bá, com 1,70 metros e 98 kg, parou os arremessos de Cristina Neagu, a melhor jogadora do mundo. “Ser grande me ajuda. É importante esse tamanho. A minha forma favorece a fazer os movimentos”, afirmou a goleira.

Tímida e assustada com o sucesso no Brasil, Bá não liga de falar sobre o peso. “Não pretendo emagrecer. Talvez um bocadinho só”, disse, com um forte sotaque aportuguesado. Angola tem campanha idêntica à do Brasil no torneio olímpico, com duas vitórias nas primeiras rodadas e uma derrota na última. “Vamos precisar de muita concentração para enfrentar o time da casa. Quem sabe a torcida vai estar dividida e nos apoiar”, comentou a jogadora.

A reserva imediata de Bá tem tipo físico parecido. Neyde também tenta “preencher” o espaço do gol com 1,80 metros e 87 kg. Foi ela quem atuou por mais tempo na última quarta-feira, na derrota angolana para a bicampeã olímpica Noruega. Em uma modalidade na qual sofrer gol é praticamente inevitável, conseguir defender 35% dos ataques já é digno de elogios.

“Não tenho problema nenhum para falar do tamanho do meu corpo, pois ele ajuda muito, principalmente quando abro os braços”, disse Neyde, com uma autêntica despretensão. Ela se sentiu um autêntico ídolo ao ouvir seu nome gritado inúmeras vezes pela torcida. “Isso é maravilhoso, nunca pensei que seria uma estrela”, divertiu-se Neyde que, na derrota para a Noruega (20 a 30), não se cansou de brincar com a torcida na arquibancada a cada defesa realizada.

SURPRESA - A colega de posição das duas, a brasileira Mayssa, reconheceu que será difícil fazer gol. “Angola é a grande surpresa da competição. Goleiras gordinhas ocupam mais espaço. Fica difícil marcar porque esconde o gol. A Bá também demonstrou ter muito reflexo e agilidade”, disse ela, que tem 1,80 metros e 66 kg.

O ataque do Brasil penou na derrota para a Espanha, na última quarta-feira, e sabe que terá de achar uma brecha para vazar as goleiras angolas. “O time delas é a surpresa da Olimpíada. Se jogarmos mal de novo, não vai dar”, afirmou Dani Piedade. Após o confronto contra as africanas, a equipe vai encerrar a participação na fase de grupos contra Montenegro, no domingo.

Para enfrentar o Brasil, o técnico angolano Filipe de Carvalho Cruz pretende ter longas conversas com a equipe. É preciso ter uma boa dose de cautela, acredita. “Até aqui, a torcida estava a nosso favor, o que ajudou muito. Agora, contra o Brasil, acho até que a simpatia vai continuar, teremos um ginásio dividido, mas vão torcer para a nossa derrota”, disse o treinador.