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Sul-africano supera vício em metanfetamina e leva prata no Rio-2016

(Foto: Divulgação)  - Sul-africano supera vício em metanfetamina e leva prata no Rio-2016
(Foto: Divulgação)

O sul-africano Luvo Manyonga saltou sobre o vício, sobre a tragédia pessoal e sobre 18 meses de banimento por doping para conquistar uma medalha de prata no atletismo no Rio-2016. E só não levou o ouro porque o norte-americano Jeff Henderson superou sua marca por um centímetro, na última tentativa do salto em distância. Para um ex-viciado em metanfetamina que ficou afastado das pistas por quatro anos, não foi ruim.

Quando entrou para a final, sábado à noite, no Engenhão, Manyonga era mais uma incógnita do que um favorito. Tinha apenas a sexta melhor marca pessoal (8,30 metros) entre os 12 finalistas. Concorria com o campeão olímpico em Londres-2012, o britânico Greg Rutherford, e com dois norte-americanos que registravam saltos mais de 20 centímetros superiores a seu recorde pessoal. Até seu compatriota, Rushwal Samaai, tinha um retrospecto melhor.

Na página oficial com seu currículo no site da Olimpíada do Rio, há um buraco de quatro anos e meio. Depois de saltar 8,21m no Mundial de 2011, na Coreia do Sul, o salto seguinte de Manyonga foi em março de 2016: 8,23m, no Campeonato Africano. A carreira bissexta deriva da vida pessoal turbulenta.

Depois de vencer o Mundial Juvenil de salto em distância, em 2010, a carreira de Manyonga começou a pular para trás. A fama e o dinheiro que conquistou aumentaram a pressão de amigos e familiares que dependiam dele. O saltador é nascido e criado em Mbekweni, na periferia da Cidade do Cabo.

O consumo de cristais de metanfetamina explodiu na região da Cidade do Cabo no fim da década passada. Tornou-se a droga mais popular. Ao ponto de as Nações Unidas caracterizarem como uma epidemia. Conhecido localmente por Tik, ela é barata, fácil de conseguir e fabricar e age rapidamente no sistema nervoso central. Fumada com um cachimbo de vidro, costuma produzir sensação de confiança e euforia, mas também é comum que leve a episódios psicóticos. É mais viciante do que o álcool.

Do uso recreativo, Manyonga saltou para o vício em Tik. Em 2012, foi pego em exame antidoping numa competição em África do Sul. Estava sujeito a uma pena mais dura, mas seu técnico e “descobridor”, Mario Smith, apresentou circunstâncias mitigantes - a vida pobre, o fato de a droga não melhorar sua performance. O saltador acabou pegando 18 meses de “gancho”. Nesse período, afundou-se ainda mais no vício.

Manyonga foi treinar em um local isolado e conseguiu os resultados necessários para se classificar para a Olimpíada. Na final, sábado à noite no Engenhão, fez o melhor salto da sua vida: 8,37,. O vencedor, o norte-americano Jeff Henderson, saltou um centímetro mais alto. “Eu pensei que tivesse conseguido, mas ele tirou de mim. Tudo bem, é apenas uma competição”, disse, agora olhando em frente. “O ontem está morto e não dá para desfazer o passado. O que acontecerá amanhã é o importante.”