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Tiro esportivo dará primeiras medalhas no Rio-2016; brasileiro é favorito

(Foto: Divulgação/Rio 2016) - Tiro esportivo dará primeiras medalhas no Rio-2016
(Foto: Divulgação/Rio 2016)

Quase 100 anos depois das medalhas conquistadas por Guilherme Paraense nos Jogos Olímpicos de 1920, na cidade de Antuérpia, na Bélgica, o Brasil pode reencontrar, no início do Rio-2016, o começo da sua história olímpica. Felipe Wu e sua namorada, Rosane Budag, são os primeiros brasileiros a competirem no Centro de Tiro Esportivo do Complexo de Deodoro e querem dar ao País a sua primeira medalha em casa.

Rosane compete primeiro, às 8h30, na prova feminina de carabina de ar 10 metros, que historicamente é a primeira a distribuir medalha. Até 10 horas da manhã, a primeira campeã do Rio-2016 já será conhecida. E ela muito dificilmente será a brasileira, que é apenas a 97.ª do ranking mundial e só está nos Jogos por convite.

Totalmente oposta é a situação de Felipe, de 24 anos, quase a metade dos 42 anos da namorada. Wu, medalhista de prata nos Jogos Olímpicos da Juventude de Cingapura, em 2010, cresceu na reta final do ciclo olímpico e chega ao Rio-2016 como líder do ranking mundial na pistola 10 metros.

Uma é zebra, o outro é favorito. O casal, porém, adota um discurso comum: ninguém ganha na véspera. Isso vale tanto para quem está na expectativa de surpreender as melhores do mundo tanto para quem chega como favorito e não quer ter uma pressão muito grande sobre as costas.

"Todos têm chances. Estar em casa ajuda. Vai que dá a zebra. Farei meu melhor", prometeu ela. "Esporte é um jogo, não é uma conta matemática. Eu comecei o ano como 50.º do ranking e passei para primeiro", lembrou Felipe, que vinha reclamando de dores no ombro nos últimos dias e que ainda vai competir mais uma vez, na pistola 50 metros.

Na prova deste sábado, Wu vai ter a torcida de Rosane, a quem não poderá retribuir o apoio. Ela deverá ir logo cedo a Deodoro, enquanto ele precisa descansar na Vila Olímpica para começar a atirar às 13 horas. Até 16 horas a prova deve acabar. Ela vai tentar ajudar como puder. "Ele costuma me procurar com o olhar durante intervalos da prova, e aí tenho que parecer calma e passar força para ele, mas na verdade estou desesperada por dentro", admitiu.

Além de Felipe, o Brasil também vai ser representado por Julio Almeida, que foi o campeão pan-americano dessa prova e é o 16.º colocado do ranking mundial. Não será uma zebra absoluta se ele alcançar a final. Em 1920, sempre bom lembrar, o ouro de Guilherme Paraense veio acompanhado de uma prata de Afrânio da Costa e um bronze por equipes. Quem sabe a sorte não se repete.