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Vadão diz que ouro olímpico não salvará o futebol feminino no Brasil

Vadão diz que se preocupa em trabalhar o aspecto psicológico das atletas (Foto: Rafael Ribeiro/CBF) - Vadão diz que ouro olímpico não salvará o futebol feminino no Brasil
Vadão diz que se preocupa em trabalhar o aspecto psicológico das atletas (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Dois dias antes da estreia na Olimpíada contra a seleção chinesa, o técnico da seleção brasileira de futebol feminino, Vadão, afirmou nesta segunda-feira que sabe da importância de ganhar a medalha de ouro no Rio, mas que não é isso que vai "salvar" a modalidade no Brasil.

"Se o Brasil ganhar a medalha de ouro, no dia seguinte as escolas vão passar a ter aulas de futebol feminino? Não! As prefeituras vão criar escolinhas de futebol feminino? Não! Ganhar o título pode facilitar a procura por patrocínio, coisa desse tipo, mas a única forma de fortalecer o futebol feminino no Brasil é incentivando a prática desse esporte, criando escolinhas, oferecendo aulas", afirmou Vadão durante entrevista coletiva concedida no Engenhão, na zona norte do Rio, palco do jogo de estreia.

Para o técnico, a oportunidade de jogar em casa gera mais ansiedade e pressão, e por isso ele se preocupa em trabalhar o aspecto psicológico das atletas. "O time está muito bem preparado (tecnicamente), mas precisamos controlar a ansiedade. Temos nossa forma de jogar e não podemos querer ganhar de qualquer jeito". A comissão técnica conta com um psicólogo justamente para tentar controlar o aspecto emocional das jogadoras.

A partida de estreia será na próxima quarta-feira, dois dias antes da cerimônia oficial de abertura da Olimpíada. "Vamos estrear num dia em que todas as atenções do Brasil vão estar voltadas para o futebol feminino. A seleção foi premiada, porque não haverá outros brasileiros competindo naquela hora, mas isso também aumenta a expectativa. Outra novidade é jogar em casa, porque a maioria dos grandes jogos acontece fora do Brasil, raramente a seleção joga no País. Essa é outra razão para a importância do trabalho psicológico", afirmou o técnico.

Segundo Vadão, a China mudou sua estratégia de jogo com a troca de técnico - o atual treinador é o francês Bruno Pini -, e se tornou "mais competitiva": "O Brasil pode ser melhor no ranking (da Fifa), mas o importante é estar melhor (na hora do jogo). A China tem um time veloz e ponteiras muito ágeis, mas o plano tático é o que chama mais atenção".

Seis atletas brasileiras atuam no futebol feminino chinês. "Elas conhecem as jogadoras chinesas, já se encontraram (no Rio), se abraçaram. Por jogar lá, elas conhecem bem o estilo de jogo chinês. Mas hoje em dia, com a facilidade da internet, é possível pesquisar qualquer time. As chinesas também sem dúvida conhecem a equipe brasileira", afirmou.