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Vírus zika não assusta mais (quase) ninguém na Vila Olímpica

Foto: reprodução Facebook oficial - Vírus zika não assusta mais (quase) ninguém na Vila Olímpica
Foto: reprodução Facebook oficial

Enquanto atletas canadenses, italianos e alemães aproveitavam de bermuda o sol forte, chineses, sul-coreanos e japoneses procuravam qualquer sombra. Poucos abriam mão do uniforme de mangas longas. As posturas tão opostas são reflexo do tamanho do temor de cada um com respeito ao vírus da zika.

De forma geral, só os asiáticos parecem se preocupar com o risco de infecção pelo vírus, cuja incidência caiu de forma expressiva nos últimos meses, com a queda das temperaturas e a menor precipitação. Nessas condições, afinal, o mosquito Aedes aegypti se reproduz em menor escala.

Mesmo quando faz calor forte, como nesta segunda-feira no começo da tarde, é comum encontrar chineses na área internacional de Vila Olímpica com agasalhos e capuz, ainda que demonstrem claro desconforto. Questionados, dizem ter muito medo do zika. As atletas da ginástica artística dormem cobertas por uma tenda de tela, como aquelas de cobrir bolo.

Sul-coreanos e tailandeses disseram à reportagem que receberam recomendações para cobrirem o corpo ao máximo, além de usarem repelente e deixarem os quartos fechados com telas nas janelas. Quando perguntados, dizem que o zika é uma preocupação real e citam reportagens da imprensa.

Os japoneses parecem ser mais flexíveis e muitos circulam de shorts e camiseta de manga curta. A precaução está em uma espécie de odorizador que promete repelir mosquitos - a halterofilista Mikiko Andoh carrega no mesmo cordão em que leva sua credencial.

Para a grande maioria dos atletas, o zika era uma preocupação antes da viagem ao Brasil. No Rio, eles descobriram que não há por que esquentar a cabeça. O sul-coreano Joo Saehyuk, por exemplo, usa manga compridas por recomendação do comitê sul-coreano, mas admite que não se sente ameaçado. Seus colegas do time de tênis de mesa também não.

A própria Organização Mundial de Saúde (OMS) diz que o risco de contaminação é baixo e "administrável". Margaret Chan, diretora-geral da entidade, disse na sexta que os visitantes devem tomar cuidados pontuais, como valer-se de repelentes e usar roupas apropriadas.

Quando o zika era o assunto da moda, uma empresa de repelentes tornou-se patrocinadora oficial. Graças ao acordo, os atletas recebem um spray quando chegam à Vila. No supermercado da área internacional, uma vendedora disse que não mais do que 30 foram vendidos até agora.

O espanhol Salva Pierra é um que diz que não há mais mosquitos aqui do que na Espanha. Viu pouquíssimos no Rio. Argentinos, canadenses e britânicos, em conversas informais com a reportagem, disseram não sentir uma real preocupação a respeito do zika. Muitos nem repelente lembram de passar.

Muito do temor mundial foi causado pelo golfista irlandês Rory McIlroy, estrela da modalidade e um dos primeiros a alegar que não viria ao Rio porque temia pela saúde dele e da família. O próprio presidente do Comitê Olímpico da Irlanda, Patrick Hickey, diz que houve exagero por parte do seu atleta.

"Eu acho que o risco é mínimo. O resto do nosso time não tem preocupação com zika ou com mosquitos", disse o dirigente ao Estado. "Dissemos isso a ele, mas ele ouviu recomendações de outros médicos especialistas e a gente não quis interferir."

Apesar desse sentimento de segurança entre os atletas, os tenistas Mike e Bob Bryan, gêmeos norte-americanos, anunciaram no fim de semana que não disputarão o Rio-2016 por precauções de saúde. Não citaram o zika, entretanto.