22°
Máx
14°
Min

Após protestos, Unicamp promete criar 600 vagas na moradia

Com o prédio da reitoria ocupado há 47 dias por estudantes que reivindicam a adoção de cotas e o reforço na política de permanência estudantil, a Universidade Estadual de Campinas se comprometeu a comprar um terreno para construir um novo prédio com ao menos 600 novas vagas para alunos de baixa renda e ampliar em 10% o número de bolsas de auxílio social. Para o Diretório Central dos Estudantes (DCE), a proposta representa avanços, mas ainda é "insuficiente".

A Unicamp conta atualmente com 832 vagas na moradia estudantil e paga 791 bolsas de auxílio moradia, no valor de R$ 428,76, para suprir a demanda por vagas. A universidade informou que, ainda este ano, irá comprar um terreno próximo ao atual prédio da moradia. O terreno de 34 mil m² terá o valor calculado por peritos do Ministério Público.

"Os recursos para a aquisição do imóvel serão provenientes das reservas financeiras da universidade", informou em nota. No documento enviado aos estudantes, também se compromete a ampliar em 10% para o próximo ano as bolsas de auxílio social - hoje são 1.450.

A universidade vive uma grave crise financeira, apenas o pagamento aos funcionários comprometeu mais de 100% de seu orçamento nos cinco primeiros meses deste ano. A reitoria informou que a ampliação de vagas na moradias já estava em andamento desde 2014.

Karolina Moraes, de 21 anos, representante do DCE e estudante de pedagogia, disse que as vagas na moradia já foram prometidas em outros anos e nunca efetivamente construídas. "Eles só estão prometendo mais uma vez uma coisa que já se comprometeram a fazer e que já deveria estar pronta", disse a estudante.

Ainda segundo ela, os alunos querem que a reitoria se comprometa a não punir nenhum estudante, tanto os que ocupam a reitoria, como os que estão em greve. "Alguns alunos que estão em greve já estão sendo investigados em sindicâncias administrativas", disse ela.

No documento enviado aos alunos, a reitoria informou que se "compromete a não punir qualquer estudante em virtude dos atos associados à ocupação do prédio da reitoria, seja por medidas administrativas ou judiciais, desde que não tenha havido danos de qualquer natureza ao patrimônio público".

Karolina afirmou que os alunos ainda reivindicam formas mais transparentes para que a Unicamp disponibilize e explique o seu orçamento e gastos. No documento, a universidade informou que cumpre integralmente a Lei Federal de Transparência e que organizará as plataformas para que todos os gastos orçamentários estejam em uma mesma página para facilitar o acesso.

Os alunos marcaram uma assembleia para a noite desta terça-feira, 28, para discutir os rumos das manifestações.