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Casa-símbolo contra obras da Olimpíada é demolida na zona oeste do Rio

A casa que virou símbolo da resistência contra as demolições da comunidade Vila Autódromo, na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro, para dar lugar às obras olímpicas, foi destruída na manhã desta terça-feira, 8, pela prefeitura. A Tropa de Choque da Guarda Municipal chegou à casa de Maria da Penha Macenas, de 50 anos, às 6 horas, em cumprimento de um mandado judicial emitido da última sexta-feira, 4.

A casa de Maria da Penha era uma das últimas que estavam dentro do traçado das obras feito pela prefeitura do Rio e ainda não haviam sido demolidas. De acordo com moradores, a casa foi abaixo sem a presença de engenheiro responsável pela demolição.

Moradora do local há 23 anos, Maria da Penha não concordava em sair do local, nem com indenização ou reassentamento. "Por que eles não nos deixam aqui e reurbanizam a comunidade? Seria um bom legado para a Olimpíada. Tem espaço", disse ela, na semana passada, ao jornal O Estado de S. Paulo.

Nesta terça-feira, 8, Dia Internacional da Mulher, já estava programada homenagem a Maria da Penha, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Ela receberá a medalha de Mulher Cidadã.

Cerca de 700 imóveis já foram demolidos na Vila Autódromo, o que representa 85% da ocupação do local, que remete aos anos 1960. A localização privilegiada, às margens da Lagoa de Jacarepaguá, despertou a atenção de pescadores e, depois, com o boom imobiliário no bairro, dos operários que trabalhavam na região.

No fim da manhã desta terça-feira, guardas faziam cerco à casa de Márcio Henrique de Jesus, de 35 anos, que também está dentro do traçado das obras olímpicas. Ele tem uma filha de um mês, que está dentro do imóvel.