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Casas de repouso barram suspeitos de gripe

Dispensadores de álcool em gel espalhados pelos aposentos. Funcionários trabalhando com máscaras cirúrgicas. Troca da roupa pelo uniforme antes de entrar na unidade. O surto de H1N1 em São Paulo tornou a cena, típica de hospitais, cada vez mais frequente em casas de repouso para idosos, grupo considerado de risco, na capital. Para tentar prevenir a doença, alguns estabelecimentos chegam até mesmo a barrar a entrada de pessoas com sintomas de gripe.

Na entrada da Casa de Repouso Elite, em Perdizes, na zona oeste, um cartaz informa a medida. "Por favor, se estiver gripado, peço a gentileza de que não venha fazer visita", diz o aviso, fixado pouco acima de outro informe que pede aos frequentadores para lavarem as mãos. "Se a gente perceber que a pessoa está resfriada, não passa nem do portão", diz a proprietária Fernanda Prizon, de 36 anos.

Familiares dos 25 idosos atendidos na unidade foram informados por e-mail da medida. Gripada, uma funcionária teve de passar uma semana sem aparecer na casa de repouso que, até o momento, não teve nenhum paciente com H1N1. "Preparamos um quarto isolado, caso alguém tenha a doença. Se um pegar aqui, todo mundo pega", justifica Fernanda.

Com receio do vírus, as regras de higiene também ficaram mais rígidas. Antes de entrar, os funcionários - a maioria deles usuária de transporte público - precisam trocar de roupa. Cartazes semelhantes aos da entrada foram replicados pelas dependências da unidade, sempre ao lado de um dispensador de álcool em gel.

"O surto preocupa muito, porque, em geral, uma gripe mata um idoso", afirma a estilista Angela Coelho da Fonseca, de 50 anos, ao visitar a mãe, Clotilde Máximo, de 70, na casa de repouso. Portadora de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), a paciente inspira cuidados especiais. "Se alguém estiver com um pouquinho de indisposição, não quero que chegue perto", diz Angela, que aprova os cuidados de prevenção adotados na unidade.

Na Casa de Repouso Pôr do Sol, em Pinheiros, também na zona oeste, os funcionários agora precisam usar máscaras cirúrgicas durante o trabalho. Lá, até mesmo a proprietária Marlene Fátima Mendes, de 58 anos, precisou ser afastada recentemente. O motivo: contraiu o vírus H1N1, segundo suspeita, na fila de um banco.

"Eu fiquei de cama mesmo, sem conseguir levantar. Senti o peito carregado e veio uma febre imediata", diz Marlene, que se tratou com Tamiflu, o remédio indicado para a doença. "Se um idoso ficar como eu fiquei, morre", afirma.

Atividade em grupo

No Centro Dia Vitalia, em Moema, zona sul, que recebe idosos durante o dia, as atividades em grupo são acompanhadas para evitar aglomerações e o contato muito direto, caso alguém apresente sintomas. Os pacientes também passam por avaliação médica individual.

"Temos álcool em gel em nossos ambientes compartilhados e monitoramos a lavagem das mãos antes e depois das atividades e das refeições", afirma o coordenador Fernando Tundisi Guimarães. Segundo ele, não foi registrado nenhum caso de H1N1. "Estamos por enquanto trabalhando com a prevenção e a conscientização tanto deles quanto dos familiares." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.