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Chefia da Polícia diz que greve de delegados no Rio é justa

A Chefia da Polícia Civil do Rio considerou, em nota, "justa e devidamente motivada" as reivindicações que levaram delegados e agentes a interromperem o trabalho nesta segunda-feira, 27. Eles protestam contra o corte do orçamento da Segurança Pública e o atraso nos salários. Até as 16 horas, serviços como registros de ocorrência e investigações estão suspensos. As perícias em casos de homicídio estão mantidas.

No comunicado, a Polícia Civil declarou que "entende que a reivindicação dos policiais civis é justa e devidamente motivada em razão das dificuldades enfrentadas por esses importantes operadores de segurança pública". Acrescentou que "não pode desconsiderar a defesa irrefreável da sociedade em face da criminalidade".

"Assim, a Chefia de Polícia está avaliando, com os diretores gerais, a adesão do movimento, já tendo combinado com estes que o delegado titular da respectiva unidade avaliará a complexidade de ocorrências apresentadas e tomará as providências para o registro e demais medidas legais necessárias ao encarceramento de criminosos presos em flagrante", diz a nota.

Nesta tarde, cerca de 150 policiais estão reunidos em frente ao prédio da Chefia de Polícia, na Lapa, região central do Rio. Vestidos de preto, eles levam cartazes com inscrições como "Polícia sem salário e efetivo" e "Polícia abandonada, cidadão abandonado". Entre as reivindicações estão a revogação das isenções fiscais a grupos empresariais, a extinção de funções gratificadas no funcionalismo público estadual e a apuração de eventuais desvios financeiros no Rio Previdência, a empresa de previdência privada do serviço público fluminense.

"Não queremos radicalizar o momento. Mas o governo está nos levando a isso. Ainda vamos avaliar quais serão os próximos passos. Nossa preocupação é com a sociedade", disse o presidente da Coligação dos Policiais Civis do Rio, Fábio Neira. "Hoje, os policiais estão impossibilitados de fazer registros de ocorrência, sem transporte e armas adequados", afirmou ele. A previsão é de que o grupo saia pelo Centro do Rio em protesto ainda nesta tarde.

A vitrinista Daniela Pedrosa, de 39 anos, contou que não conseguiu registrar o furto de celular e carteira ocorrido na sexta-feira, 24, em um bar na Lapa. Por causa da paralisação dos policiais civis, ela foi orientada a fazer pré-registro pela internet e voltar à 5ª Delegacia de Polícia (Centro) em sete dias.

O policial que a atendeu explicou que, além da paralisação, não havia papel nem tinta para imprimir o registro de ocorrência. "Eu me sinto totalmente desamparada. A cidade já não tem segurança e quando você procura a polícia, que é quem devia te ajudar, você não encontra apoio. É tudo absurdo", afirmou.

Daniela conseguiu bloquear celular e os cartões de crédito e débito, mas teme que os dados sejam usados por estelionatários. "Eu queria fazer o registro para me resguardar", explicou.

A orientação às delegacias é registrar apenas casos graves. "O policial está desmotivado. Tem delegacia que está recorrendo a doações. Eu sou contra. Não vou ficar mendigando ajuda se o Estado não quer dar estrutura", afirmou o delegado Gilberto Carvalho, ex-chefe de Polícia Civil e titular da Delegacia do Consumidor (Decon).