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Cientista japonês leva Nobel de Medicina por pesquisa sobre células

Um cientista japonês, Yoshinori Ohsumi, foi anunciado nesta segunda-feira o vencedor do prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia deste ano por descobrir como as células se livram de toxinas e conseguem fazer reparos nelas próprias. Ohsumi recebeu o prêmio por investigações que levaram ao entendimento do papel da autofagia em muitos processos fisiológicos, como a resposta à infecção.

O prêmio inclui um cheque de 8 milhões de coroas suecas (US$ 933.307). O cientista afirmou que concentrou sua pesquisa em um assunto que inicialmente atraía pouco interesse de colegas. "Meu princípio básico é que eu quero fazer coisas que as outras pessoas não estejam fazendo", disse Ohsumi à emissora japonesa NHK, pouco depois de ser anunciado vencedor da honraria.

O pesquisador disse que a autofagia, processo de degradação e reciclagem dos componentes celulares, "não estava recebendo muita atenção", o que o motivou a começar a tratar disso, décadas atrás. "A reciclagem de nutrientes é a função mais básica da autofagia", afirmou o cientista. "A degradação está sempre acontecendo em nossos corpos. A vida não existe sem uma relação paralela entre degradação e síntese."

Formado em Biologia, Ohsumi fez descobertas sobre como as células quebram e reciclam seu conteúdo, com um sistema de retirada de resíduos que cientistas avaliam que possa ser útil na luta contra o câncer, o Alzheimer e outros males. O Instituto Karolinska elogiou o pesquisador por seus "experimentos brilhantes" nos anos 1990 sobre autofagia, quando as células absorvem conteúdo com problemas e fornecem blocos de construção para se renovarem. Problemas na autofagia das células têm sido vinculados a várias doenças, como Mal de Parkinson, diabetes e câncer, lembrou o comitê do prêmio.

Ohsumi, de 71 anos, é natural de Fukuoka, no Japão, e professor no Instituto Tóquio de Tecnologia. Em 2012, ele havia obtido o Prêmio Kyoto, maior honraria privada do Japão para um feito global. O pesquisador disse hoje que nunca imaginou que fosse ganhar um Nobel por seu trabalho, que segundo ele envolveu a observação de material em microscópios a cada dia durante décadas. "Quando criança, o Prêmio Nobel era um sonho, mas depois de começar minha pesquisa ele estava fora do meu esquadro", comentou. "Eu não me sinto confortável em competir com muita gente, então em vez disso eu considero mais agradável fazer algo que ninguém mais está fazendo", afirmou o pesquisador. "De certa maneira, é sobre isso a ciência e a alegria de encontrar algo me inspira."

Em Tóquio, Ohsumi disse que muitos detalhes sobre a autofagia celular ainda precisam ser entendidos e que esperava que pesquisadores mais jovens o ajudassem a buscar respostas. "Não há linha de chegada na ciência. Quando eu encontro uma resposta para uma questão, outra aparece. Eu nunca pensei que tivesse resolvido todas as perguntas."

Nesta terça-feira, será anunciado o vencedor do Nobel de Física. Na quarta-feira, o de Química e, na sexta-feira, o da Paz. O Nobel de Literatura sai na próxima semana, quando também será anunciado o de Economia. Fontes: Dow Jones Newswires e Associated Press.