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Dois dos quatro restaurantes da USP estão fechados

Dois dos quatro restaurantes universitários da Universidade de São Paulo (USP), na Cidade Universitária, na zona oeste da capital, estão fechados desde a semana passada. O restaurante central, que oferece o maior número de refeições (7.800 por dia), e o da Física (2.600 por dia) estão com os serviços suspensos, segundo a universidade, porque o abastecimento de alimentos e a limpeza estão impossibilitados de serem feitos já que a sede da Superintendência de Assistência Social (SAS) está ocupada há 19 dias.

O prédio foi ocupado por estudantes no último dia 6, após uma aluna, moradora do Conjunto Residencial da USP (Crusp), denunciar ter sido agredida pelo namorado e o cunhado, também moradores do local. Os alunos pedem a punição e expulsão dos agressores. A SAS informou que já instaurou um processo de sindicância e que determinou o afastamento imediato dos agressores do Crusp.

"A gente ocupou o prédio porque esse caso (da moradora agredida no início do mês) foi só o estopim. Vários casos de agressão e violência contra a mulher acontecem no Crusp e nunca nada é feito, a SAS sempre se omite", disse Julia Forbes, diretora do Diretório Central dos Estudantes (DCE).

Com os dois restaurantes fechados, nesta segunda o restaurante da Química e o da Prefeitura da USP estavam com fila de até 30 minutos para o almoço. A administração dessas duas unidades é terceirizada. A refeição também não estava sendo cobrada, já que o serviço de venda de créditos para os restaurantes também está paralisado por conta da ocupação.

"Os alunos são prejudicados com a paralisação dos restaurantes, mas, mesmo assim, eu apoio a ocupação. A USP tem um histórico de omissão nos casos de violência contra a mulher e isso precisa mudar. Isso pode acontecer com todas nós aqui dentro", disse Gabriela Takiuti, de 23 anos, aluna de Arquitetura.

Felipe Augusto, de 22 anos, aluno de Relações Internacionais, disse achar que o fechamento dos restaurantes universitários é uma forma de represália à ocupação. "Querem que os demais alunos fiquem contra o movimento, mas eu, pessoalmente, acho a reivindicação justa".

Em nota, a USP informou que a SAS "não se omite e nunca se omitiu diante dos fatos que chegam ao seu conhecimento e que envolvam assédio, preconceito ou violência de qualquer natureza". Informou ainda que, além da impossibilidade do funcionamento dos dois restaurantes universitários, a ocupação também está prejudicando a limpeza do Crusp, das creches, além da retirada de cartões de bilhete único, venda de créditos para os restaurantes, compromete o pagamento dos bolsistas referente ao mês de abril e o processo de seleção de novos bolsistas.

"A SAS não tem nenhuma condição de garantir a continuidade de suas atividades enquanto persistirem posições irredutíveis e radicais", informou em nota a universidade.