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Enfermeiras são flagradas maltratando paciente em Paulínia

Imagens feitas com o celular por um acompanhante mostram duas técnicas de enfermagem maltratando um paciente internado no Hospital Municipal de Paulínia, interior de São Paulo. Durante a sessão de xingamentos, ouvem-se ruídos de possíveis agressões ao doente, um homem de 41 anos, internado na sala de emergência do hospital por problemas decorrentes do alcoolismo. As imagens não mostram o que se passa, pois o ambiente está protegido por uma cortina, mas é possível ouvir a forma rude como o doente é tratado.

A gravação foi feita na última sexta-feira, 13, mas o vídeo só foi divulgado nesta terça-feira, 17. "Quieto, fica quieto, droga, fica quieto, saco. Amarra essa p... aí", diz uma das enfermeiras. "Cala a boca", completa. Outra voz acrescenta: "Por que não deixa morrer essa p...? Oh, praga!" Ouvem-se ruídos que podem ser de tapas. Não se ouve qualquer frase dita pelo acamado, mas as mulheres prosseguem: "Não brinca comigo não... você não sabe com quem tá brincando, seu b..."

Em seguida, uma delas se dirige à pessoa que está filmando e o recrimina: "Perdeu alguma coisa? Nem sabe o que está acontecendo e vem se intrometendo." O homem responde que sabe, pois está ouvindo, e pergunta se esse é o tratamento que elas dão pelo salário que recebem. "Devia processar pelo que está acontecendo. Tá quase morrendo, tô querendo ajudar...", responde a mulher. Antes de sair do local, a enfermeira avisa o acamado para não retirar a máscara, "senão você morre".

A filmagem foi feita pelo acompanhante de outro paciente que recebia atendimento no hospital. Ele registrou ocorrência na Polícia Civil. O delegado Marco Evangelista informou que o inquérito foi aberto nesta quarta-feira, 18, e a apuração será pelo crime de tortura. A vítima será ouvida assim que tiver alta hospitalar.

As técnicas de enfermagem foram afastadas por 90 dias e, como são concursadas, vão responder a processo administrativo que pode resultar até em exoneração. De acordo com o secretário de Saúde do município, Ricardo Carajeleascow, o tratamento dispensado pelas duas profissionais não se justifica. "Trata-se de um doente crônico que foi internado em estado grave e melhorou, por isso estava sendo desentubado. Ele teve várias passagens pelo hospital e é uma pessoa agressiva, mas nada justifica como foi tratado."