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Estudantes anunciam desocupação da 1ª escola tomada no Rio

Os estudantes do Colégio Estadual Prefeito Mendes de Moraes, na Ilha do Governador, zona norte do Rio de Janeiro, anunciaram na manhã desta segunda-feira, 16, que vão desocupar a escola tomada há 56 dias. Eles tiveram as principais demandas atendidas pela Secretaria Estadual de Educação (Seeduc), como eleição direta para escolha do diretor das unidades de ensino e o fim do Sistema de Avaliação da Educação do Estado do Rio de Janeiro (Saerj).

O movimento também informou o rompimento com entidades estudantis que apoiaram as ocupações. Durante o anúncio, o chefe de gabinete da secretaria, Caio Lima, discutiu com uma professora grevista, foi expulso do colégio aos gritos de "fascista". Em seguida, ele entregou o cargo.

Os alunos disseram que vão continuar mobilizados, apesar da desocupação. "Se for preciso ocupar a Seeduc, nós ocuparemos. Nós construiremos a Seeduc, nós mostraremos quem manda. Porque se eles dizem que trabalham porque nós existimos, então vamos fazer isso acontecer. Eles vão trabalhar para quem devem trabalhar, para o professor e o estudante", disse João Victor da Silva Barbosa, de 18 anos, do 3º ano do ensino médio.

O Mendes de Moraes foi a primeira escola a ser tomada por alunos, no dia 21 de março. Segundo os estudantes, 83 unidades de ensino estão ocupadas no Rio de Janeiro.

No acordo com a secretaria, ficou acertado um calendário de visitas às escolas ocupadas para levantar pautas específicas a serem atendidas. Cada colégio vai elaborar um documento com as demandas e receberá verba no valor de R$ 15 mil para realização de obras emergenciais. "Cabe a cada escola pressionar para que essa ação realmente aconteça", disse Barbosa.

Os estudantes do Mendes de Moraes também anunciaram o rompimento com o comando de ocupações das escolas, formado por dois representantes de cada unidade de ensino. O comando é responsável por decidir os rumos da mobilização. De acordo com Barbosa, esse fórum de discussões "foi tomado por parasitas de entidades estudantis que só querem defender seus interesses e não o interesse de cada escola."

O comando conta com membros de entidades como a Assembleia Nacional dos Estudantes Livre (Anel), ligada ao PSTU e primeira apoiadora das ocupações. Também possui afiliados da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e da União da Juventude Socialista (UJS), ambas controladas por integrantes do PC do B, e da Associação Municipal dos Estudantes Secundaristas do Rio de Janeiro (Ames) e da Associação de Estudantes Secundaristas do Estado do Rio de Janeiro (Aerj).

Estudantes contra a ocupação das escolas e a favor do movimento chegaram a entrar em confronto em duas ocasiões no Mendes de Moraes. Na última sexta-feira, 13, os alunos trocaram agressões dentro da unidade de ensino, que teve seu refeitório depredado.

Discussão

O anúncio da desocupação foi interrompido por um bate-boca entre uma professora e o chefe de gabinete da secretaria, Caio Lima. O representante da Seeduc disse para a docente calar a boca, logo após ter sido chamado de "fascista". Os estudantes tomaram partido pela professora e expulsaram Lima do colégio. Após o incidente, Lima entregou o cargo.

"Eu fui até lá fechar um acordo que resultaria na desocupação da escola para retomada das aulas. Mas uma professora me chamou de fascista e eu mandei que ela calasse a boca, pois essa senhora não sabe o que é isso", disse Lima.

De acordo com ele, o governo estadual cedeu em tudo o que poderia e os alunos conseguiram avanços em suas reivindicações. "Essa discussão só aconteceu porque parte dos professores não quer que o movimento dos alunos termine, eles não querem negociar", afirmou.

Lima já havia pedido exoneração há dez dias, mas foi convencido pelo governador em exercício, Francisco Dornelles (PP), a permanecer no cargo. Ele era o responsável pela negociação com os estudantes que ocupam escolas no Rio de Janeiro.