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Família de adolescente vítima de estupro coletivo dispensa advogada

A família da jovem de 16 anos violentada no Morro da Barão, zona oeste do Rio, decidiu dispensar a advogada Eloísa Samy Santiago, que defendia a adolescente no caso. Eloísa foi informada da decisão pela avó da adolescente, numa mensagem de áudio via celular, informou a advogada na noite deste domingo.

Segundo Eloísa, a família também informou que aderiu ao Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte, da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, em parceria com o governo federal.

Ao jornal "O Estado de S. Paulo", a advogada se disse "aliviada" com a decisão da família, porque estava conduzindo o trabalho sozinha, e demonstrou confiança nos órgãos do Estado, como o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) e a Defensoria Pública. "A Defensoria tem os melhores advogados do País", disse Eloísa, elogiando, sobretudo, os profissionais que trabalham com direitos humanos.

Mesmo fora do caso, a advogada comemorou a decisão deste domingo da Polícia Civil de passar a coordenação da investigação sobre o crime para a Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV). A Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), que estava à frente do caso, ficará com a apuração da divulgação de imagens do crime nas redes sociais.

No sábado, Eloísa encaminhou ao MP-RJ e à Justiça quatro pedidos em relação ao inquérito. A promotoria concordou com três pleitos, incluindo o desmembramento da investigação e o pedido de investigação da conduta do delegado titular da DRCI, Alessandro Thiers.

Eloísa argumentou que a DRCI não deu o tratamento adequado ao crime de estupro e concentrou-se na investigação da publicação das imagens. Apontou também suposta atitude imprópria de Thiers durante depoimentos da vítima. Para a advogada, a adolescente foi constrangida e o delegado não respeitou a condição de vítima de violência sexual. Nos depoimentos, a jovem disse ter sido dopada e atacada por 33 homens armados.

A promotoria entendeu também que a jovem deve ser protegida por medida cautelar da Justiça, nos moldes da Lei Maria da Penha, que pode proibir que suspeitos se aproximem ou mantenham contato com vítimas. A advogada relatou que um dos suspeitos do crime tem tentado intimidar a jovem.