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'Foi um dos piores e mais tristes acidentes que já vi', diz bombeiro

Bombeiro há 26 anos e comandante do grupamento que realizou o resgate das vítimas do acidente na Rodovia Mogi-Bertioga, o tenente-coronel Jean Carlos de Araújo Leite, de 50 anos, disse que o cenário encontrado era de destruição, com o ônibus totalmente retorcido e danificado e as vítimas com múltiplos traumas.

"Já trabalhei em muitos acidentes graves, como a explosão no shopping de Osasco (em 1996, que deixou 42 mortos), mas o de hoje foi, com certeza, um dos piores e mais tristes que já vi, principalmente por causa do perfil das vítimas, tão jovens, que tiveram um projeto de vida interrompido", diz ele, que tem uma filha de 24 anos que acabou de se formar em lazer e turismo na Universidade de São Paulo (USP). "Ela também se deslocava todos os dias de Mogi para São Paulo, usava trem, ônibus. Consigo me colocar na pele dos pais das vítimas e imaginar o sofrimento deles", afirma.

Segundo Leite, o resgate foi dificultado pelo estado de destruição do coletivo. "Ele estava tombado, com estudantes presos entre os bancos. Tivemos que estabilizá-lo com o auxílio de uma viatura para depois começar a remover as vítimas. Elas tinham muitos traumas e fraturas pelo corpo todo", afirma.

O comandante diz, por causa da destruição, que não era possível saber se o veículo tinha cinto de segurança e se a maioria das vítimas estava utilizando o dispositivo. "A impressão que tive é que o ônibus tinha, porque alguns passageiros pareciam ter ficado presos ao cinto", conta.

Leite diz que o trecho da rodovia onde ocorreu a tragédia é conhecido pelo alto número de acidentes. "É uma descida e com muitas curvas. Quando há condições climáticas desfavoráveis, fica ainda pior", afirma ele, que diz ter notado uma neblina densa no trajeto entre Mogi e o local do acidente. "No local em si, não tinha neblina, mas no caminho para chegar de Mogi até lá, tinha muito. Dificultava bastante a visão dos motoristas."