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Gasto de gabinete de Marquito será investigado pelo MP

Os gastos de gabinete do vereador Marco Antônio Ricciardelli, o Marquito (PTB), serão investigados pelo Ministério Público Estadual (MPE) em inquérito que apura irregularidades na conduta do parlamentar. Há suspeita de que Marquito repassaria todos os meses R$ 6,8 mil a um escritório de advocacia de fachada, comandado por seu assessor pessoal, Edson Roberto Pressi. Em três anos, teriam sido mais de R$ 122 mil.

Na segunda-feira, 28, a reportagem revelou que o MPE já investiga o vereador por suposta cobrança de "dízimo" de seus funcionários, prática na qual parte dos salários é devolvida ao gabinete. Vídeos e depoimentos em poder da Promotoria revelam que o esquema chegou a reter mais de 50% dos rendimentos dos funcionários comissionados em 2013. Os denunciantes afirmam que o modelo se repete ainda hoje.

A devolução, segundo as denúncias, é feita sempre no dia de pagamento e em dinheiro. Funcionários seriam orientados por Pressi a sacar na boca do caixa a quantia a ser devolvida, na agência bancária que fica no subsolo do prédio da Câmara, e colocá-la em um envelope antes de entregar ao assessor.

As supostas irregularidades seriam comandadas por Pressi, que exerce a função de chefe de gabinete de Marquito sem ser nomeado funcionário. Oficialmente, o cargo é da mulher dele, Maria das Graças Pressi, que raramente é vista no gabinete.

As notas fiscais relativas à consultoria jurídica mostram que o escritório contratado pelo vereador fica em um prédio administrado por Pressi, em Guarulhos, na Grande São Paulo. Há suspeitas de que o assessor seja o verdadeiro dono do imóvel. À reportagem, por telefone, funcionários informaram que ele trabalha no local.

O gasto com o escritório de advocacia é o maior do gabinete de Marquito. Em janeiro deste ano, por exemplo, esse custo representou 35% do total. Na Câmara Municipal, a verba mensal de gabinete é de R$ 22 mil, em média, que pode ser usada com contratação de consultorias, material de escritório, panfletos e combustível, por exemplo.

O parlamentar não se manifestou sobre as investigações. Em conversa informal com a reportagem, na semana passada, Pressi negou as acusações e disse não poder ser nomeado oficialmente porque sua "religião não permite".

Para o promotor de Justiça Cassio Conserino, há indícios de prática dos crimes de peculato (apropriação de bem ou de dinheiro público para fins particulares) e improbidade administrativa (desonestidade na condução da função pública com fins de enriquecimento ilícito e prejuízo aos cofres públicos). Outras testemunhas serão chamadas para depor ao longo da semana.

Sindicância

Líder do PTB na Câmara Municipal, o vereador Paulo Frange afirmou ontem, em entrevista à Rádio Estadão, que o partido não vai agir com corporativismo. "Se aconteceu, vai ser tratado como irregularidade. É peculato. Não vamos permitir que seja silenciado na Casa. Temos de ter responsabilidade com esse tipo de apuração", disse.

O partido vai abrir uma sindicância. Após a conclusão do processo, Marquito pode até ser expulso do PTB, sugere Frange. O vereador ainda informou que o assunto será debatido hoje com os demais líderes partidários, em reunião na Câmara, às 14 horas. De acordo com Frange, a Corregedoria será provocada a investigar o caso também dentro do Legislativo.

O prefeito Fernando Haddad (PT) também defendeu que o caso seja investigado. "O Executivo não pode fiscalizar nesse sentido o Legislativo. Não posso mobilizar a Controladoria (Geral do Município). É um assunto interno da Câmara", disse o petista.

Marquito é da base aliada de Haddad. Recebeu 22 mil votos em 2012 e só assumiu uma vaga na Câmara Municipal, como suplente, após a nomeação de Celso Jatene para a Secretaria Municipal de Esportes, em janeiro de 2013.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.