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Governo admite 'dificuldade' em cumprir meta de saneamento

O secretário nacional de saneamento ambiental, Paulo Ferreira, admitiu nesta terça-feira, 16, que o Brasil "terá dificuldades" em cumprir a meta de universalização do saneamento básico até 2033. Ele também esquivou-se de aprofundar a relação entre a falta de saneamento básico - segundo diagnóstico mais recente, mais de 42% da população urbana brasileira não é atendida por redes coletoras de esgoto - com a proliferação de Aedes aegypti, responsável por uma epidemia de zika no País.

"Estamos atrasados", reconheceu, atribuindo a vagarosidade das ações a dificuldades como falta de recursos, problemas de gestão nos municípios e conflitos relacionados ao licenciamento ambiental. O objetivo do Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) é garantir que 100% do território nacional seja abastecido por água potável até 2023 e 92% dos esgotos estejam tratados até 2033. "São metas ousadas", disse o secretário.

Estudo publicado em janeiro pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que, com o ritmo atual de investimentos, a população brasileira só estaria completamente atendida com água encanada em 2043 - esgotamento sanitário, só em 2054. O atraso seria em função da baixa média histórica de investimentos no setor, que recebeu R$ 7,6 bilhões por ano entre 2002 e 2012. Para que fossem cumpridos os prazos estabelecidos pelo Plansab, seria preciso, de acordo com a pesquisa, elevar esse valor para R$ 15,2 bilhões anuais.

Dados do Sistema Nacional de Informações Sobre Saneamento (Snis), divulgados pelo Ministério das Cidades nesta quinta, com referência para o ano de 2014, mostram que ampliação da rede de água cresceu, de um ano para outro, apenas 1,5%. Já a expansão da rede de coleta de esgoto foi maior, mas não muito otimista: 3,7% em relação a 2013. "Olhando no horizonte com olhos de hoje, fica realmente difícil de, neste ritmo, atingir a meta", assumiu o secretário.

Sobre o impacto da falta de saneamento em doenças como a dengue, a chikungunya e a zika, transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, Ferreira disse que "é um problema mais relacionado à higiene das habitações", mas reconheceu que "se tiver coleta de esgoto, a possibilidade de contaminação é menor". No mais, evitou prolongar o assunto: "Sou um mero engenheiro".