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Jogador de rúgbi da Argentina relata 'desespero' com prisão de colegas no Brasil

Matías Tapia Gómez, um dos sete jogadores de rúgbi argentinos acusados de espancar o delegado de Polícia Civil Gustavo Rodrigues em um bar na zona sul do Rio na madrugada do último dia 11, enviou uma carta à imprensa de seu país em que se diz "desesperado" com a detenção do grupo no Brasil.

Ele acusa haver "muitas irregularidades" na condução do caso pela Justiça brasileira. Gómez está entre os quatro jogadores que respondem em liberdade por lesão corporal grave e resistência à prisão. Outros três estão presos no complexo de presídios de Bangu, na zona oeste.

Publicada pelos jornais Clárin e La Nación, a carta traz um apelo de Gómez para que os jogadores sejam soltos e possam voltar à Argentina. Do time de rúgbi Club Los Cedros, da Grande Buenos Aires, eles vieram para uma partida no município de Volta Redonda, no centro-sul fluminense.

Patricio Velazquez, Tomás Fernández, Herman Gabriel Gonzales e Adrian Gustavo de Donato foram presos em flagrante pela agressão ao delegado, que teve a mandíbula fraturada e um dente quebrado por socos e pontapés. A prisão dos quatro foi convertida em preventiva pela Justiça.

Rodrigues é delegado assistente da 20ª Delegacia (Vila Isabel, zona norte). Estava a lazer no bar Palaphita Kitch, na Gávea (zona sul), quando começou a briga. Os atletas alegam que foram provocados por um grupo de brasileiros pelo fato de serem argentinos e que apenas se defenderam da hostilidade. Sustentam que não sabiam que Rodrigues era policial.

Gómez, Ignacio Iturraspe e Fermin Francisco Ibarra são acusados de envolvimento nas agressões e estão em liberdade, mas sem poder deixar o País - todos os jogadores tiveram o passaporte retido. Eles têm entre 27 e 35 anos.

O caso será analisado pelo Ministério Público (MP), para depois ser encaminhado a julgamento. O MP informou que a promotoria junto à 38ª Vara Criminal ainda não recebeu o inquérito policial. Além do delegado, um amigo dele, Rodrigo Henrique Araújo Rosa, saiu ferido - teve um corte na cabeça.

Na carta, Gómez não dá detalhes sobre como se deu a briga no bar: "Não é minha intenção falar da causa, porque teríamos que estar todos livres e alguns possivelmente já de volta a Buenos Aires. Nós sabemos (a causa), as pessoas que gostam da gente e os advogados sabem. Segundo os advogados, se isso tivesse acontecido com pessoas daqui, elas teriam ficado apenas um pouco na delegacia", afirma o atleta.

Em reportagens publicadas na Argentina, parentes reclamam de os presos terem ficado incomunicáveis. Procurado pela reportagem, o Consulado da Argentina no Rio informou que está acompanhando o caso, mas que não tem novas informações a dar.

"Nós nos sentimos indefesos, acreditamos que nossa segurança esteja comprometida. Os dias são eternos (...) Somos três em liberdade e que fomos presos 'por estarmos com um grupo de argentinos', segundo informou um policial. Estávamos em outro lugar quando aconteceu a briga, mas somos acusados de ter praticado a mesma lesão, o que é um erro inadmissível"

"Queremos que esse pesadelo termine e que possamos voltar para casa com nossos amigos. Estamos desesperados. Necessitamos que a Justiça decida com velocidade para tirar os meninos da cadeia. É uma loucura o que aconteceu e como foi montado todo o processo", diz a carta de Gómez.