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Na rede pública, estudantes falam em protestos e ocupação

Estudantes de escola pública e militantes de entidades estudantis já falam em fazer protestos contra as reformas propostas pelo governo federal. Para a estudante do 3.º ano do ensino médio Helen Cristine, de 17 anos, que está na Escola Estadual Dário de Queiroz e participou das ocupações de colégios estaduais em 2015, contra a reorganização propostas pela gestão Geraldo Alckmin (PSDB), faltou diálogo com os estudantes. "Os alunos, que vão sofrer com isso, nem sequer foram consultados", disse.

Para ela, o novo modelo causará ainda mais evasão escolar. "A gente sabe que o que querem é ensinar só Exatas e Linguagens. Estão ensinando os estudantes para serem massa de trabalhadores, não pensadores. Eu já não gostava de ficar na escola no período normal. Agora, então, com sete horas e sem Artes nem Educação Física, não vai ter incentivo nenhum para ir à escola. Acredito que novas ondas de ocupações podem acontecer."

Para Vanessa Alves, de 17 anos, que está no 3.º ano do ensino médio da Escola Estadual Gavião Peixoto, em Perus, zona norte da capital, o aumento no número de horas sem melhoria no formato das aulas é "suicídio". "É um absurdo, parece que eles não sabem como é a nossa realidade. A rejeição está sendo muito grande, até maior do que na época que ocupamos as escolas (em 2015)."

Estudantes já marcaram o primeiro protesto contra as mudanças no ensino médio. Um evento no Facebook, com o título "ato contra a reforma do ensino médio - São Paulo" já tem 1,6 mil pessoas confirmadas e está marcado para as 18 horas de segunda-feira, no vão-livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp).

Também estão previstos atos nacionais no dia 5 do próximo mês, segundo a presidente da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes), Camila Lanes. "Os estudantes não se sentiram contemplados pela reforma", afirma ela.