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Ocupação na Fernão Dias perde força e deve acabar ainda hoje

Com uma derrota na assembleia feita com os alunos do período matutino, a ocupação da Escola Estadual Fernão Dias perdeu força nesta segunda-feira, 2, e deve acabar ainda nesta noite após votação que será feita com os estudantes do noturno. Durante a manhã e a tarde, não houve aula na unidade.

Os próprios jovens que invadiram a escola na madrugada de sábado, 30, em protesto contra a falta de merenda na escolas técnicas estaduais (ETECs), os desvios de recursos da alimentação escolar e o fechamento de salas de aula admitem que a ação foi "precipitada" e que a maioria dos alunos da Fernão deve se manifestar contra a permanência da ocupação.

"Acho que a gente ocupou de forma precipitada. Mas por isso abrimos espaço para os alunos se manifestarem. Houve muito conflito verbal, quase agressão física, e eles (alunos contrários à ocupação) não quiseram ouvir a gente, saber o problema da escola. Votaram e foram embora", disse o estudante Marcelo Eduardo, de 16 anos, aluno do segundo ano da Fernão.

Após a assembleia dos alunos pela manhã, na qual a maioria decidiu pelo fim da ocupação e pela volta às aulas, a Secretaria Estadual da Educação divulgou que a escola havia sido desocupada. Mas, na tarde desta segunda-feira, os alunos ainda mantêm o controle do portão principal da unidade, mas perderam o domínio das dependências.

"Ocuparam a nossa ocupação", disse um dos estudantes inconformados com a presença de funcionários, professores e assessores da Secretaria dentro da escola desde às 7h. O promotor Antônio Ozório, que atua como assessor de Educação no Ministério Público Estadual (MPE), também entrou na escola para acompanhar a conversa dos alunos com a diretoria. "Ouvi de professores que há um clima grande de revolta entre os pais dos alunos que querem frequentar a escola. O importante é que o diálogo está sendo possível", disse.

Um outro sinal da perda de força dos alunos que ocuparam a Fernão foi o pedido de exoneração da professora de filosofia Dalva Garcia, apoiadora do movimento. "A direção da escola colocou os alunos uns contra os outros. Trouxe um grupo que é contra a ocupação para dizer que os alunos eram invasores. Nunca vi isso em 25 anos lecionando. Estou fazendo um esforço para ter uma escola sem tensão, onde os alunos não precisem ocupar para que ela fique aberta. Cheguei no meu limite", disse Dalva, que trabalha há 15 anos na Fernão Dias e dá aula na Pontifícia Universidade Católica (PUC).