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Oito são presos em ataque a empresa de valores e Estado admite ação do PCC

Na quarta ação em seis meses contra empresas de transporte de valores em São Paulo, pelo menos 30 bandidos armados com fuzis, metralhadoras, granadas e explosivos invadiram a sede da Protege, em Santo André, na madrugada de quarta-feira. O bairro onde fica a empresa, no ABC paulista, foi fechado pela quadrilha e houve tiroteio com vigilantes e policiais militares, mas nada foi levado. À tarde, o Departamento de Narcóticos prendeu oito suspeitos e apreendeu um arsenal, incluindo um fuzil .50, que pode derrubar helicópteros.

A ação se assemelhou às de Campinas (março), Santos (abril) e Ribeirão Preto (julho), quando foram roubados mais de R$ 130 milhões no total. Os criminosos atacaram em grupo por volta das 3 horas, fecharam ruas de acesso, jogaram pregos para dificultar a chegada da polícia, explodiram muros e paredes, incendiaram veículos e usaram armamento de guerra para espalhar o pânico.

O diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), delegado Emygdio Machado Neto, admitiu que o Primeiro Comando da Capital (PCC) é investigado por essas operações. "E o caso tem ligação com todos os demais anteriores", afirmou. Conforme o jornal O Estado de S. Paulo revelou, em 11 de julho, a facção criminosa é suspeita de usar o dinheiro do tráfico de armas e de drogas para financiar outras ações criminosas. Atualmente, o foco está em roubos às empresas de transporte de valores usando estratégias e armas de guerra.

Depois da reportagem, a gestão Geraldo Alckmin (PSDB) desmentiu, em entrevista coletiva, a suspeita de envolvimento do PCC. Na quarta, Machado Neto não só confirmou a investigação como também disse que integrantes da facção criminosa foram identificados e alguns estão presos desde o início dos ataques, em março.

A ação

Após a tentativa de assalto à empresa de valores Protege, os criminosos incendiaram veículos, jogaram pregos retorcidos nas vias, abandonaram explosivos e roubaram carros para garantir a fuga. Foram registrados ao menos 11 veículos queimados, além de dois acidentes de trânsito. Uma viatura foi atingida por tiros durante a perseguição.

Houve pânico sobretudo entre os moradores de um condomínio localizado na frente da Protege, na Rua dos Coqueiros. De acordo com os vizinhos, os bandidos chegaram encapuzados e fortemente armados. Dois criminosos ficaram estrategicamente postados em cada uma das esquinas nas Ruas Rosa da Siqueira e Sabará. A tentativa de assalto começou às 3h20, quando a quadrilha entrou na empresa.

Os tiros crivaram o portão da garagem e danificaram os salões de festas do edifício Terraços do Campestre. Moradores relatam aproximadamente 40 minutos de tiros e dizem que a polícia só conseguiu entrar na rua após a fuga dos criminosos, por volta das 4h30. O revide dos vigilantes impediu o roubo.

Dez veículos foram incendiados no ABC sete em Santo André. Houve troca de tiros ainda entre bandidos e policiais militares da Força Tática na Rua Costa Barros, na região da Vila Alpina, zona leste da capital. O confronto terminou com acidente de trânsito.

Uma Saveiro foi abandonado na Rua Ibitirama, na mesma região. Os policiais ainda acharam um Tiguan na Avenida Salim Farah Maluf com explosivos e armas. Cartuchos de fuzil, carregadores e radiocomunicadores foram encontrados no interior de um BMW e de um EcoSport, abandonados na Rua Guacumã, também na zona leste. Uma viatura da PM, estacionada na Rua São Raimundo, foi atingida por dois tiros. Mais três veículos foram incendiados no Viaduto Grande São Paulo.

Prisões

Posteriormente, policiais do Denarc prenderam oito suspeitos em uma chácara, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. No local havia armas, munições e um dos carros blindados usados contra a Protege. Em seguida, os investigadores foram até uma casa no Jardim Ibitirama, na zona leste, e encontraram um arsenal, incluindo o fuzil .50, explosivos e coletes à prova de balas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.