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Para especialistas, houve falha na construção de ciclovia no Rio

Duas pessoas morreram na quinta-feira, 21, no desabamento de um trecho da Ciclovia Tim Maia, que liga os bairros do Leblon e São Conrado e foi inaugurada pela prefeitura do Rio há três meses. Até o fim da quinta-feira, bombeiros procuravam uma pessoa desaparecida. Especialistas consideram que houve uma falha na construção, um dos legados da Olimpíada de 2016, mas caberá à perícia avaliar se o problema aconteceu no estudo da área, no projeto ou na execução.

O engenheiro Antonio Eulálio Pedrosa, do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-RJ), acredita que o desabamento tenha sido motivado pela falta de planejamento adequado da obra. "Ela (a ciclovia) não estava preparada para esse impacto. Não se previu a força excepcional da onda", avaliou.

Também o especialista em análise de risco e segurança Moacyr Duarte, pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), considera que uma falha em algum momento do projeto de construção deve ser analisada. E criticou o fato de a ciclovia não ser interditada em casos de ressaca e ventania. "O guarda-corpo dela nem é muito alto. O simples fato de a água chegar à pista já assusta as pessoas. Elas podem cair lá embaixo ou se acidentar na pista mesmo e se machucar."

Após o acidente, a área foi interditada, assim como a Avenida Niemeyer, sem previsão de liberação. Este não foi o primeiro problema na ciclovia. Passados seis dias da inauguração, em 17 de janeiro, foram detectadas falhas no guarda-corpo de estrutura metálica da via. Também houve queixas de assaltos.

As mortes

O engenheiro Eduardo Marinho de Albuquerque, de 54 anos, e Ronaldo Severino da Silva, de 60, aproveitavam o feriado de sol, às 11 horas, quando foram tragados pelas ondas do mar de São Conrado, que estava de ressaca. A busca por uma possível terceira vítima prossegue nesta sexta. A Polícia Civil abriu inquérito para investigar a ruína.

Ondas de 4 metros

As ondas chegavam a 4 metros de altura e batiam no costão da Avenida Niemeyer. Uma corrente de água, vinda de baixo para cima, levantou o leito da passarela e derrubou um trecho de 50 metros, por onde passavam ciclistas e pedestres.

A dona de casa Karina Vianna, de 38 anos, contou que pedalava sua bicicleta quando parou por causa das ondas. Logo, viu uma onda mais forte arrancar a pista construída sobre pré-moldado, cerca de 20 metros à frente, onde estavam dois homens. "Parei para me segurar e, quando eu olhei, não tinha mais (o trecho)", relatou, emocionada. "Tremeu, tremeu muito."

A prefeitura evitou adiantar hipóteses sobre o que teria ocasionado a ruína. A GeoRio (órgão da Secretaria Municipal de Obras responsável pela contenção de encostas) vai se reunir com o engenheiro que fez a obra e a empresa para cobrar causas e responsabilidades. O secretário executivo de Coordenação da prefeitura, Pedro Paulo Teixeira, chegou a culpar inicialmente a ressaca, mas, confrontado com o fato de que a área costuma apresentar o fenômeno, preferiu "evitar especulações".

A obra foi realizada pelo consórcio Concremat-Concrejato, que prometeu "trabalhar incessantemente" para chegar às causas da tragédia. "A empresa segue todos os protocolos e normas de segurança, utilizando-se das mais modernas técnicas e equipamentos." O consórcio ainda ressaltou que a prioridade agora é "garantir o atendimento às vítimas e seus familiares". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.