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Pichador da Igreja da Pampulha é identificado e se apresenta à polícia de Minas

Um homem de 25 anos, Mário Augusto Faleiro Neto, é o autor das pichações feitas na Igreja de São Francisco de Assis, a chamada Igrejinha da Pampulha, na última segunda-feira (21), conforme investigações da Polícia Civil de Minas Gerais.

O responsável pela depredação do templo se apresentou nesta quarta-feira, 23, à corporação, depois de receber intimação em casa, e afirmou que a pichação seria um protesto contra o rompimento da barragem da Samarco em Mariana, ocorrida no dia 5 de novembro. Disse ainda que não sabia que a igreja era tombada pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A pichação foi feita em um painel externo de Cândido Portinari sobre São Francisco e em paredes da igreja. Na terça-feira, técnicos do Instituto Estadual de Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG) estiveram no templo para repassar à Arquidiocese de Belo Horizonte instruções para a retirada da pichação.

O monumento faz parte do Conjunto da Pampulha, planejado por Oscar Niemeyer, do qual fazem parte ainda a Casa do Baile, o Iate Tênis Clube e o Museu de Arte. O complexo concorre para se transformar em patrimônio cultural da humanidade pela Unesco.

É possível, porém, que obras realizadas no Iate Tênis Clube tenham de ser removidas para a concessão do título. O Conjunto da Pampulha foi construído em 1943 a pedido do então prefeito da cidade, Juscelino Kubitschek.

A polícia chegou ao autor da pichação por pistas deixadas nas redes sociais e por informações de uma testemunha. Depredações semelhantes foram localizadas em outros pontos da cidade.

Segundo o delegado Murillo Lima, da Divisão Especializada em Crimes ao Meio Ambiente da Polícia Civil, o argumento utilizado por Faleiro Neto, de que a pichação seria um protesto pela tragédia em Mariana, não tem procedência. Conforme o delegado, nenhuma outra ação dele teria qualquer motivação ideológica.

"O suspeito será indiciado por dano ao patrimônio público, com agravante por se tratar de uma obra de patrimônio histórico-cultural. A pena é de seis meses a um ano de detenção", afirmou o delegado Aloísio Fagundes, também responsável pelas investigações. Depois do depoimento, Faleiro Neto foi liberado.