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Recife registra morte de feto e de recém-nascido infectados por chikungunya

A Secretaria de Saúde do Recife confirmou nesta quinta-feira, 28, dois casos até então inéditos relacionados à chikungunya em Pernambuco: a primeira morte fetal e o primeiro óbito de recém-nascido provocado pela doença. As mortes aconteceram, respectivamente, em fevereiro e março deste ano, mas só agora tiveram todas as confirmações laboratoriais concluídas. O anúncio provocou um alerta entre especialistas em saúde materna e infantil.

De acordo com a secretária executiva de Vigilância em Saúde do Recife, Cristiane Penaforte, a mãe do feto vitimado pela chikungunya apresentou os sintomas no último trimestre da gestação. O óbito intrauterino foi diagnosticado na 38ª semana de gravidez, três dias após o início dos sintomas relatados pela gestante, que incluíam dores articulares e manchas espalhadas pelo corpo. A mulher, que teve a identidade preservada, é moradora do bairro do Arruda, na zona norte, e foi atendida em um hospital da rede privada. Ainda de acordo com a secretaria, o feto era do sexo masculino e não apresentava nenhum sinal de malformação.

O bebê recém-nascido também era do sexo masculino, tinha 15 dias de vida e morava com a família no bairro da Estância, na zona oeste. Ele morreu no início de março, quatro dias após apresentar os primeiros sintomas da chikungunya. A Secretaria de Saúde do Recife investiga ainda a morte de um segundo recém-nascido, ocorrida no bairro da Campina do Barreto, na zona norte. O menino, com um mês e oito dias, faleceu em abril com sintomas da doença. Os exames laboratoriais devem ser concluídos na próxima semana.

Especialistas se mostraram preocupados com a notícia. "Essas confirmações trazem uma luz para algumas dúvidas e podem nos ajudar a compreender um pouco mais sobre essa doença. É importante que as pessoas não entrem em pânico, especialmente as gestantes e as famílias com bebês recém-nascidos.

Precaução continua sendo a palavra chave. Todos nós que atuamos na frente contras as arboviroses temos de nos debruçar sobre cada nova informação para tirar dali ações positivas para o cuidado com nossos pacientes", disse o infectologista Fernando Lima, do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, um dos centros de referência no tratamento das arboviroses.

"Esta é uma doença nova para todo mundo e, diante disso, estamos nos mantendo em alerta enquanto estudamos a doença. Por isso, é preciso que as gestantes e a população em geral continuem com o repelente, usem roupas que cubram mais o corpo e evitem locais com muito mosquito", orientou Cristiane Penaforte, secretária executiva de Vigilância em Saúde do Recife.