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'Tinha medo, mas ele amava o que fazia', diz mulher de PM morto

Na tarde de 5 de janeiro, Mônica de Oliveira (nome fictício) teve um mau pressentimento. Casada há quatro anos com o soldado da PM Thiago Rodrigues de Oliveira, sentiu vontade de ligar para o marido, mas não havia sinal de celular no sítio onde estava. Telefonou assim que conseguiu. Do outro lado da linha, ouviu a voz de um desconhecido. "Logo imaginei o que tinha acontecido."

Oliveira morreu com um tiro na cabeça aos 28 anos, em Osasco, na Grande São Paulo, onde servia no 42.º Batalhão da PM. Às 17 horas, o soldado desceu fardado de um ônibus. Foi surpreendido por um criminoso, que arrancou sua pistola .40 e, com ela, o assassinou.

Além da mulher, o policial deixou um filho de 2 anos. "Ele pergunta todo dia pelo pai", diz Mônica. "Sempre tive medo, mas ele amava o que fazia."

O assassino morreu no mesmo dia, após atirar a esmo, ferir duas pessoas, atropelar outras duas e tentar fugir em um carro roubado. Acabou alvejado quatro vezes por policiais.

"O PM está sendo assassinado brutalmente dia a dia. Banalizou", diz o cabo Wilson Morais, presidente da Associação de Cabos e Soldados da PM de São Paulo (ACS). "Hoje, os policiais andam assustados", afirma.

Segundo o subtenente Almir Armelin, da Associação das Praças da PM de São Paulo (Aspra), os policiais fora de serviço acabam mortos quando são identificado como agente de segurança. "Na maioria dos casos, se a vítima não fosse policial, não seria assassinada. Para nós, ele foi morto em serviço", diz.