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Três tipos de vacinas contra zika têm resultados positivos em primatas

Um grupo de cientistas brasileiros e americanos completou mais uma etapa dos estudos pré-clínicos para o desenvolvimento de vacinas contra o vírus da zika. Um mês depois de anunciar que duas candidatas a vacinas deram proteção completa a camundongos, o grupo comprovou em novo estudo que três tipos de vacinas foram totalmente eficazes contra a infecção por zika em macacos rhesus.

O novo estudo, que teve seus resultados publicados nesta quinta-feira, 4, na revista Science, foi feito por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), do Beth Israel Deaconess Medical Center (BIDMC, na sigla em inglês) e do Instituto de Pesquisas Walter Reed do Exército (WRAIR), ambos dos Estados Unidos.

"As três vacinas forneceram proteção completa contra o vírus da zika em primatas não humanos, que são o melhor modelo animal para estudos antes de iniciar os testes clínicos (em humanos)", disse um dos autores do estudo, Dan Barouch, diretor Centro de Pesquisa em Virologia e Vacinas do BIDMC e professor da Escola de Medicina da Universidade de Harvard.

"A proteção robusta e consistente contra o vírus da zika em roedores e primatas nos deixa otimistas em relação ao desenvolvimento de uma vacina segura e eficaz contra a zika para humanos", afirmou Barouch.

Nesta quarta-feira, 3, o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, anunciou o início dos testes em humanos de uma vacina experimental de DNA contra o vírus da zika.

Em junho, as autoridades de saúde americanas já haviam aprovado a realização de testes clínicos em humanos para uma outra candidata a vacina contra a zika, produzida pelo laboratório americano Inovio, em parceria com a GeneOne Life Sciences, da Coreia do Sul. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), há mais de 20 projetos de vacina contra o vírus da zika em países como os Estados Unidos, Brasil, Índia, França e Áustria.

O funcionamento das vacinas consiste em estimular o sistema imune do paciente para que ele desenvolva defesas contra o vírus. No novo estudo, os cientistas testaram três maneiras de produzir a imunidade em macacos rhesus: uma vacina de vírus inativo purificado (PIV, na sigla em inglês), desenvolvida por cientistas do Exército, uma vacina de DNA e uma vacina com base em vetor de adenovírus. As três apresentaram eficácia notável sem nenhum efeito adverso, segundo os autores.

Para testar a vacina PIV, os cientistas imunizaram oito macacos rhesus com o vírus inativo e oito outros macacos com um placebo. Em duas semanas, os sistemas imunes dos animais produziram anticorpos contra o vírus.

Depois de uma nova aplicação após quatro semanas, os níveis de anticorpos subiram substancialmente, segundo os cientistas. Quando os macacos foram expostos a duas linhagens diferentes do vírus da zika, isoladas no Brasil e em Porto Rico, mostraram que estavam completamente protegidos contra a zika, sem nenhum vestígio detectável do vírus no sangue, nem nos fluidos corporais.

Em um segundo experimento, 12 macacos rhesus foram imunizados com as vacinas de DNA ou com a vacina com base em vetor de adenovírus. Esses dois tipos de vacinas introduzem apenas um fragmento do DNA do vírus, que codifica proteínas da membrana que o envolve, fazendo com que o sistema imune do paciente desenvolva anticorpos.

Nesse experimento, ambas as vacinas produziram anticorpos específicos contra o zika em todos os macacos testados. A vacina com base em vetor de adenovírus provocou uma resposta mais ampla e potente. Quando os primatas foram expostos à linhagem brasileira do vírus da zika, ambas as vacinas forneceram proteção completa. Os dados sugerem que os testes clínicos para essas candidatas a vacinas contra o zika podem acontecer mais rápido do que se pensava.