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Zika pode ter causado a morte de professor universitário no Rio

A Secretaria de Estado de Saúde do Rio investiga a morte do professor universitário Bruno Rodrigues de Almeida, de 37 anos, por suspeita de zika. Professor de direito constitucional da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, ele foi atendido em um posto de saúde de Niterói, no Grande Rio, onde morava, e recebeu o diagnóstico de suspeita de zika, na quarta-feira, 24. Hipertenso e diabético, Almeida despertou na segunda-feira, 29, com forte mal-estar. Morreu antes que pudesse ser socorrido. Para a família, houve negligência no atendimento no posto de saúde do bairro Engenhoca, que liberou o professor. "Foi total incompetência", afirma o designer gráfico Gustavo Almeida, irmão de Bruno.

Bruno Almeida começou a ter os primeiros sintomas na segunda-feira, 22 - febre, dores no corpo, diarreia. Apesar de ter plano de saúde, procurou um posto de saúde por acreditar que os médicos estariam mais familiarizados com casos de dengue e zika. "No posto, constataram que ele estava com zika, deram soro e o mandaram para casa. No dia seguinte, ele tinha muita dificuldade para se locomover, as juntas doíam, parecia que estava paralisando. Deram mais soro, antibiótico e o mandaram para casa novamente", contou o professor Paulo Cosme, seu colega na Rural. "É lamentável o que aconteceu. A saúde pública não deu atenção", afirmou.

Na segunda-feira, Almeida acordou suando frio e reclamando de muita sede. Enquanto a mãe buscava um copo d'água e o pai tirava o carro da garagem para socorrê-lo, morreu. Ele foi enterrado na tarde do mesmo dia. Não foi feita autópsia. A família estuda entrar com pedido judicial para que o corpo seja exumado, informou Gustavo. A assessoria de Imprensa da SES informou que ainda não é possível confirmar que o professor teve zika.

Bruno Almeida havia ingressado na Rural em 2011. Muito querido pelos alunos, seria o patrono de uma turma de formandos em 21 de março. Uma van levou alunos e colegas do professor no câmpus Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, para o enterro em Niterói. Nas redes sociais, a professora de direito internacional da Universidade do Estado do RIo de Janeiro Carmen Tibúrcio postou um desabafo: "A epidemia causada pelo zika parece preocupar mais à comunidade internacional do que os nossos governantes, bem como os postos de saúde aos quais Bruno se dirigiu aparentemente não deram maior atenção ao caso pois o liberara", escreveu. Ela deu aula para Bruno a partir do 3º período da graduação e o orientou no mestrado e no doutorado.

Até as 19h, a Secretaria Municipal de Saúde de Niterói não havia se manifestado sobre o caso.

Boletim

O Estado do Rio registrou 17.310 casos suspeitos de dengue entre 1º de janeiro a 1º de março de 2016. Uma morte foi registrada em Volta Redonda, no sul fluminense. No mesmo período de 2015, houve 6.284 casos suspeitos de dengue. Os dados sobre microcefalia e Guillain-Barré serão divulgados nesta quarta, 3. O município do Rio tem 171 casos de bebês com microcefalia registrados entre 18 de novembro e 22 de fevereiro - número 85% maior do que o divulgado em 22 de janeiro, quando havia 92 casos na cidade.