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Mais de 10% das pessoas voltam a engordar após cirurgia de obesidade

(Foto: Divulgação) - Mais de 10% das pessoas voltam a engordar após cirurgia de obesidade
(Foto: Divulgação)

No mundo há mais de um bilhão de adultos com sobrepeso e 300 milhões com obesidade segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). “No Brasil, a obesidade é uma doença crônica que afeta cerca de 18% das mulheres e 13% dos homens”, relata cirurgião do aparelho digestivo e especialista em cirurgia da obesidade do Hospital VITA Dr. Giorgio Baretta. Isso representa cerca de 19 milhões de habitantes, sem contar os mais de 50% de brasileiros com sobrepeso, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica.

“Nos Estados Unidos, cerca de dois terços dos indivíduos são obesos ou têm excesso de peso, um em cada três norte-americanos é considerado obeso, e a outra terça parte sofre de excesso de peso crônico”, explica o médico. Em geral 31% dos homens e 35% das mulheres sofrem de obesidade e apenas 1% destes têm acesso à cirurgia bariátrica. No Brasil, que ocupa a segunda colocação nesse tipo de procedimentos, foram realizadas cerca de 93,5 mil cirurgias bariátricas em 2015, o que representa um crescimento de 6,25% se comparado ao mesmo período de 2014. Mas, de acordo com o especialista, o problema não acaba com a realização do procedimento, já que entre 10% a 20% dos pacientes voltam a ganhar peso como passar dos anos, aumentando as chances de doenças associadas à obesidade como diabetes, hipertensão arterial, dislipidemia (aumento do colesterol e triglicerídeos), apneia do sono e artropatias. “Além disso, ficam mais suscetíveis a sofrer com baixa autoestima e problemas psicológicos ou psiquiátricos”, complementa.

O que fazer com este número cada vez maior e mais preocupante de novos obesos “de novo”?

“Primeiro devemos levar em consideração os motivos pelos quais esses pacientes reganham peso”, alerta Baretta. Os maus hábitos dietéticos como a ingesta abusiva de doces e álcool, o sedentarismo, a má escolha da técnica cirúrgica pelo paciente ou pelo cirurgião e o rápido esvaziamento dos alimentos do novo estômago pela dilatação ou confecção maior da anastomose gastrointestinal (costura entre o estômago novo e o intestino desviado) devem ser investigados. Uma boa entrevista com o paciente, avaliação nutricional e psicológica ou psiquiátrica no pré-operatório, bem como o incentivo à atividade física e aos retornos com a equipe multidisciplinar são de fundamental importância para evitar o insucesso da cirurgia bariátrica. Com relação à anastomose gastrointestinal, várias técnicas para redução do seu calibre vêm sendo tentadas, porém sem muitos resultados animadores. Quanto maior o calibre desta anastomose, mais rápido o esvaziamento gástrico e consequentemente maior a ingesta alimentar. O contrário é verdadeiro, ou seja, quanto menor o diâmetro desta “saída” do novo estômago operado, mais lento será o esvaziamento gástrico e mais precoce será a saciedade alimentar do paciente.

(Foto: Divulgação)Dr. Giorgio Baretta (Foto: Divulgação) 

Baseado neste preceito, o Serviço de Endoscopia do Hospital VITA Batel – Endobatel vem realizando, desde 2009, um procedimento endoscópico que visa reduzir o diâmetro da saída do estômago operado em pacientes já submetidos à cirurgia bariátrica e que estão reganhando peso. Trata-se da coagulação com plasma de argônio. O plasma de argônio ganhou importância no campo da endoscopia digestiva desde a década passada. Esta técnica promove uma termocoagulação da mucosa da anastomose gastrointestinal e consequentemente uma redução do seu calibre. Com isso, o esvaziamento gástrico é retardado e a saciedade alimentar do paciente torna-se mais precoce.

O procedimento é ambulatorial, ou seja, o paciente recebe alta logo após despertar da sedação que é realizada sob a supervisão de um médico anestesiologista. São realizadas no mínimo três sessões com intervalo de 6 semanas entre cada uma delas. Os resultados iniciais são animadores, porém o paciente deve ser encorajado a realizar atividade física e acompanhamento psicológico.

Avantagem de tudo isso é que o procedimento é minimamente invasivo, não necessitando de outra cirurgia; praticamente isento de riscos e completamente bem tolerado pelos pacientes. “Esta é uma boa opção no vasto arsenal terapêutico disponível no auxílio do número cada vez maior de obesos em todo mundo”, conclui o médico.