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Paciente conversa normalmente durante cirurgia no cérebro

Pela primeira vez em Foz do Iguaçu, a equipe de neurocirurgia do Hospital Ministro Costa Cavalcanti, realizou uma cirurgia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para extração de tumor cerebral com o paciente acordado.

César Galeazzi, de 53 anos, é arquiteto e em virtude da doença, percebeu que estava esquecendo de informações básicas e importantes do cotidiano. Durante o procedimento, liderado e realizado pelo neurocirurgião Dr. Elton Gomes, César foi além, conversou e gesticulou sempre que solicitado pela equipe cirúrgica.

Segundo o neurocirurgião, “a eletroestimulação é importante para evitar que ocorram lesões nas áreas sensoriais, motora e da fala”, explica.

De acordo com Dr. Elton, esta cirurgia trata-se de um grande avanço na medicina, pois é possível fazer, de forma segura, um verdadeiro mapeamento do cérebro do paciente, evitando-se lesões que podem comprometer áreas importantes e refletir na qualidade de vida do paciente.

“A proposta da cirurgia é que possamos reduzir o tumor sem deixar sequelas para o paciente. No caso do César, retiramos 80%, o restante, trataremos com radioterapia e quimioterapia”, frisa o médico.

A cirurgia contou com o empenho e colaboração dos outros membros da equipe de neurocirurgia Dr. Edgar Farina e Dr. Raymond Sarraf, do neurofisiologista Dr. Gustavo Gabellini, do anestesiologista Dr. Carlos Zammarian e da equipe de enfermagem.

“Trata-se de uma cirurgia feita em muitas mãos; é necessária a ajuda de todos para alcançar sucesso”, acrescenta Dr. Elton.

O paciente

César Galeazzi passa bem e está com alta prevista para amanhã, sexta-feira.

“Estou tão bem que passaria por tudo novamente. Confiei plenamente no Dr. Elton e já sinto grande melhora”, frisa.

César já não conseguia mais contar de 0 a 10 e não lembrava números de telefone. Hoje, dois dias após a cirurgia, faz isso naturalmente.

Entenda

Normalmente as neurocirurgias são realizadas com o paciente sob anestesia geral, ou seja, inconsciente (dormindo), porém, quando o tumor está próximo a áreas com funções especiais do cérebro, como é o caso da fala, movimentação e sensibilidade, há o risco que estas funções especiais sejam perdidas, caso forem lesadas durante o procedimento.

“Mantendo o paciente acordado durante a cirurgia, estas áreas podem ser monitoradas em tempo real. Sendo assim, são menores as chances de lesão e é possível uma otimização do tratamento”, completou Dr. Elton Gomes.

Quando começou

A técnica iniciou com o neurocirurgião francês Hugues Duffau, quando, segundo a revista francesa L´Express, aprendeu a técnica, nos Estados Unidos, seguindo os primeiros passos do médico canadense Wilder Penfield, que já estavam caindo no esquecimento. Penfield, que faleceu em 1976, aproveitava suas cirurgias de epilepsia, com os pacientes acordados, para tentar “mapear” o cérebro. 

Único a acreditar na técnica, o neurocirurgião francês, ao voltar ao seu país, em 1996, aperfeiçoou-a e começou a utilizá-la na retirada de tumores cerebrais, visando evitar sequelas.

Colaboração: Assessoria de imprensa