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Paraná avança nas negociações para aquisição de vacina contra a dengue

(Foto: Pedro Amatuzzi / Estadão Conteúdo) - Paraná avança nas negociações para aquisição de vacina contra a dengue
(Foto: Pedro Amatuzzi / Estadão Conteúdo)

O Paraná poderá ser o primeiro estado da América Latina a fornecer a vacina contra a dengue na rede pública de saúde. O governador Beto Richa recebeu nesta sexta-feira (29), em Curitiba, o vice-presidente do laboratório francês Sanofi Pasteur, Guillaume Leroy, único fabricante que possui registro da vacina contra a dengue no mundo. O Estado aguarda apenas a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para poder adquirir o medicamento e iniciar a imunização.

A reunião foi acompanhada pelo secretário da Saúde, Michele Caputo Neto, além de diretores do laboratório e do deputado federal Luciano Ducci. “O Paraná sai na frente, de forma inédita e pioneira, no fornecimento dessa vacina, que irá garantir a proteção, para o verão do ano que vem, dessa doença”, afirmou Richa. A vacina é eficaz contra os quatro sorotipos de dengue identificados, em circulação.

Doses

O Estado irá adquirir, inicialmente, 500 mil doses do medicamento. A expectativa é começar a vacinação no mês de junho, prioritariamente em grupos de risco e nas regiões mais afetadas. Serão aplicadas três doses da vacina. “Aguardamos apenas a autorização da Anvisa para avançarmos nessa negociação”, declarou o governador. A ideia é começar aplicar o medicamento em junho desse ano e chegar em janeiro de 2017, no começo do verão e auge da dengue, com parte da população mais suscetível à doença imunizada.

Mais eficaz

Michele Caputo, secretário da Saúde, afirma que a imunização é a forma mais eficaz para o controle da dengue. “É muito difícil e caro combater o mosquito, até pelas condições climáticas favoráveis à proliferação”, afirmou. Ele ressaltou que a responsabilidade pelas campanhas de vacinação é do governo federal, mas o Paraná assume este compromisso diante da gravidade da crise econômica nacional. “O Estado é sensível ao momento nacional e buscará formas de viabilizar a vacinação”, disse Caputo.

Para reduzir o custo, a proposta do governo estadual é que a distribuição e armazenamento da vacina sejam feitas pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar). A vacinação é necessária em três doses. “A primeira já tem um forte poder imunizatório, sendo as demais necessárias para confirmação”, disse Caputo.

Único no mundo

O laboratório francês, que tem patente de outras 19 vacinas, é o único no mundo com o registro do medicamento contra a dengue. A vacina foi finalizada em dezembro de 2015 e tem 93% de eficácia. A previsão do laboratório é reduzir em 80% a taxa de internação e mortalidade gerada pela doença. 

No Brasil, o produto já passou por testes da Anvisa e aguarda apenas a precificação do medicamento. Apesar disso, Leroy afirmou que o laboratório já tem um estoque de vacina para atender ao Paraná, assim que a Anvisa autorizar.

“Estamos buscando formas de baratear e reduzir os custos para exportação da vacina”, disse ele. Uma das alternativas sugeridas é a exportação ser feita diretamente pelo Estado. 

Estimativas apontam que o combate à dengue custe, anualmente, 24 bilhões de euros (R$ 95,1 bilhões) para as economias mundiais. “Temos o reconhecimento da eficácia e segurança da vacina. “O Brasil é uma região endêmica e a vacinação é fundamental para redução dos casos de dengue”, ressaltou o vice-presidente da Sanofi-Pasteur. A vacina já foi estada nas Filipinas (Ásia). O governo daquele país imunizou crianças.

Colaboração AENPr.