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Abertura de capital da Saudi Aramco pode corresponder a 5% de seu valor

Paris, 21 (AE) - A Saudi Aramco, maior empresa de energia do mundo, está considerando abrir até 5% do seu capital em ações a serem negociadas na bolsa de Nova York ao longo de 2017, disse nesta quinta-feira uma importante autoridade do setor de petróleo.

Ao listar uma pequena fração do capital social da companhia na bolsa de valores, a oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) criaria uma das mais valiosas empresas de energia do mundo.

As estimativas quanto ao valor da Saudi Aramco variam, mas com base em um número conservador de cerca de US$ 2,5 trilhões, a possível listagem de 5% do capital em ações resultaria em um valor potencial de US$ 125 bilhões - maior que o da British Petroleum e da francesa Total.

Os sauditas consideram abrir o capital da companhia num momento em que a Arábia Saudita se esforça para gerar receita em meio à queda acentuada do preço do petróleo e à transição para um mundo menos dependente da commodity. O vice-príncipe Mohammed Bin Salman supervisiona o "Plano de Transformação Nacional", destinado a promover o crescimento do setor privado e a reduzir a dependência do governo da receita obtida com as exportações de petróleo.

De acordo com Ibrahim Muhanna, principal conselheiro do Ministério de Petróleo da Arábia Saudita, Nova York surgiu como o principal mercado para os papéis da Aramco, mas Londres e Hong Kong também são opções consideradas. Ele disse que o país não listaria as ações da companhia na bolsa árabe, Tadawul, por ser muito pequena.

"O mercado saudita não pode comportar uma empresa como essa", afirmou Muhanna em conferência em Paris. Ele não divulgou quais companhias estavam trabalhando na abertura de capital da Aramco, mas disse que o preço inicial das ações ainda estava sendo avaliado e que a decisão poderia levar mais um ano. A precificação "tem que ser decidida pelos mercados internacionais", ressaltou. "Tem que ser competitivo".

Uma questão em aberto é se a listagem de ações incluirá o segmento da Aramco que corresponde a vastas reservas de petróleo bruto. A empresa administra apenas os estoques de 260 bilhões de barris da Arábia Saudita, que possui a maior reserva da commodity no mundo.

O presidente da Saudi Aramco, Khalid AL-Falih, enviou sinais conflitantes sobre o assunto. Muhanna também não comentou se as reservas serão incluídas na operação. Alguns especialistas sauditas afirmam que o país não listaria os ativos de sua produção em nenhuma bolsa de valores. A Aramco é, essencialmente, um instrumento de política do Estado, e o tamanho das reservas é tido como segredo de Estado.

A companhia produz mais de 10% da oferta mundial de petróleo todos os dias e controla uma grande cadeia de refinarias e instalações petroquímicas para complementar suas operações de exploração e produção. Fonte: Dow Jones Newswires.