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Abras vê tendência de vendas superarem estimativas e crescerem 0,7% em 2016

As vendas do varejo de supermercados estão superando as expectativas da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Após divulgar um crescimento real do faturamento de 0,8% entre janeiro e agosto na comparação com igual período do ano anterior, o superintendente da entidade, Marcio Milan, avaliou que o desempenho total em 2016 pode chegar mais perto de um crescimento de 0,7%, superando a estimativa oficial da entidade para o ano, que é de 0,45%.

Milan considerou que os resultados do setor entre junho e agosto indicam uma reversão da tendência de queda no faturamento. Foram ao todo nove meses em que as vendas acumuladas ficaram no território de queda, no período entre julho de 2015 e maio deste ano. O único alívio neste intervalo havia acontecido temporariamente, com alta nas vendas de Páscoa. Mas agora a Abras entende que há uma trajetória mais sustentada para a recuperação.

Apesar do tom otimista, Milan considerou que os próximos meses tendem a ser de um crescimento menos acelerado do que a de agosto. Apenas no mês passado, as vendas subiram 1,73% ante igual mês de 2015. "A previsão é de que o resultado continue crescendo, mas talvez num ritmo mais lento e mais consistente", ponderou.

Para o executivo, ainda há elementos de incerteza no cenário macroeconômico e político que dificultam projetar um ritmo de recuperação mais intenso. Para ele, ainda não é possível determinar até que ponto a confiança pode ser afetada por aspectos do cenário político, como o andamento das propostas de reforma elaboradas no governo do presidente Michel Temer.

Por outro lado, dados da consultoria GfK já indicam melhora das expectativas do empresariado. O Índice de Confiança dos Supermercadistas chegou a 56,3% em agosto ante 50,1% em junho. Resultados superiores a 50% indicam otimismo quanto à perspectiva de crescimento dos investimentos, das contratações e do faturamento.

"Em apenas dois meses, a confiança teve uma alta muito forte e consideramos que ainda há espaço para que esse índice continue crescendo", afirmou Marco Aurélio, diretor de Relacionamento da GfK. Segundo a pesquisa, 80% dos empresários do setor de supermercados acredita que suas empresas estarão em situação melhor do que a atual nos próximos seis meses.

Cesta básica

Os preços de itens da cesta básica monitorados pela Abras e pela GfK tiveram em agosto a primeira queda na comparação mensal em doze meses. O recuo foi de 0,27% em agosto na comparação com julho deste ano, de acordo com a Abrasmercado, cesta composta por 35 produtos de largo consumo pesquisada.

Segundo o diretor de Relacionamento da GfK, Marco Aurélio, há uma tendência de desaceleração pela frente em razão de uma esperada queda nos preços de alimentos mais afetados por quebras de safra ao longo deste ano. Ele destaca como exemplo o feijão, cujo preço subiu em meses anteriores e figurou entre as maiores quedas de agosto.

Apesar da expectativa de um arrefecimento da inflação nesta cesta de alimentos, Marco Aurélio destacou que o patamar de alta de preços no acumulado deste ano até agosto ainda é considerado muito elevado. Nos oito meses de 2016, os preços da cesta acumulam elevação de 18,04%.