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Advent capta fundo global de US$ 13 bi e analisa ativos no País, apesar da crise

Uma das maiores gestoras globais de private equity (que compram participações em empresas), a americana Advent International anunciou na terça-feira, 22, a conclusão da captação de um fundo global de US$ 13 bilhões, que pode ter até 20% do valor investido em mercados emergentes, como o Brasil. "A crise no País nos abre oportunidade de brigarmos sozinhos por ativos de grande porte e de alta qualidade, embora nos obrigue a ser mais conservadores na avaliação dos negócios", afirma Patrice Etlin, sócio diretor da Advent.

Além da ajuda do dólar valorizado, a gestora ganha flexibilidade ao poder combinar os recursos do fundo global com o fundo regional de US$ 2,1 bilhões que tem para a América Latina. "Com isso, podemos buscar tanto empresas de middle market (médio porte), tipicamente com valor a partir de US$ 50 milhões, assim como empresas significativamente maiores, com valor de US$2 bilhões ou mais", diz Etlin.

De acordo com fontes próximas à negociação, a Advent teria entregue uma proposta preliminar por uma participação majoritária na BR Distribuidora, da Petrobras. O grupo Ultra e a gestora canadense Brookfield também estariam entre os interessados. Questionado, Etlin preferiu não comentar.

A BR Distribuidora, dona da maior rede de postos de combustíveis do País, é um dos principais negócios à venda da estatal, que pretende se desfazer de cerca de US$ 14 bilhões em ativos este ano. A empresa tem sido afetada pela queda na cotação do petróleo e pelas investigações de corrupção da Lava Jato. Com as incertezas sobre os desdobramentos da operação da Polícia Federal, os investidores estariam interessados apenas em fatias majoritárias dos ativos, garantem fontes.

Risco

Segundo Etlin, mesmo com as incertezas no cenário político e a alta do risco país, o Brasil continua sendo um mercado atrativo aos olhos do investidor estrangeiro. "Apesar dos anos difíceis que teremos pela frente, o Brasil tem boas oportunidades para quem tem visão de médio prazo", diz Etlin.

Professor de organização e estratégia da escola de negócios Insper, Sérgio Lazzarini explica que, comparado a outros emergentes, como Rússia, China e Índia, o Brasil tem ambiente institucional melhor, condição crucial para investidores. "Na América Latina, o aspecto positivo do Brasil em relação a seus pares é a economia diversificada e o mercado consumidor."

Para Etlin, o mercado brasileiro já considera a possibilidade de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Mas, segundo ele, esse movimento, se confirmado, "não será fácil nem indolor". "Teremos ainda muita volatilidade pela frente."

Na avaliação do executivo, o Brasil é um País de boas oportunidades, mas estruturalmente mediano, em função de todas as reformas pendentes. "Alta carga tributária, custos trabalhistas, estrutura fiscal... Isso tudo faz o Brasil ter um valor menor que o seu valor de face", disse Etlin, fazendo analogia aos títulos que são negociados com desconto em relação ao valor nominal.

Os recursos do novo fundo da Advent foram captados em menos de seis meses e devem ser aplicados em setores como saúde, serviços financeiros, educação e consumo. No Brasil, além desses segmentos, a gestora tem forte atuação na área de infraestrutura, com participação no Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) e na concessionária Cataratas do Iguaçu S.A., de parques nacionais.

Em 2015, a gestora comprou 13% da Core Participações, um dos controladores do laboratório Fleury, e a Faculdade Serra da Gaúcha, que marcou a volta do fundo à educação, após um bem sucedido investimento na líder do setor, Kroton.

Dentro do portfólio brasileiro, as maiores dificuldades são enfrentadas pelos negócios expostos ao consumo, como a Restoque (dona de marcas da moda como Le Lis Blanc e Dudalina) e a rede de material de construção Quero Quero.

Apetite

Apesar da disposição da Advent em investir no País, houve no acumulado deste ano uma queda de 30% no número de fusões e aquisições envolvendo fundos de private equity.

Levantamento da consultoria Transaction Track Record (TTR) aponta que, em janeiro e fevereiro, foram 13 transações com participação de fundos; as sete que tiveram valor divulgado somaram R$ 6,56 bilhões.

Entre os setores de maior interesse dessas gestoras estão mineração, imobiliário, turismo e restaurantes. No acumulado do ano, o mercado de fusões e aquisições teve 111 transações, contra 160 operações no mesmo período de 2015. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.