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Alto custo de produção eleva preço do leite no varejo

(Foto: Alina Souza/Especial Palácio Piratini) - Alto custo de produção eleva preço do leite no varejo
(Foto: Alina Souza/Especial Palácio Piratini)

O preço do leite pago ao produtor no Paraná aumentou 24% de janeiro a junho e deve continuar subindo neste período de entressafra, começando a estabilizar a partir de setembro. Segundo levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, em janeiro o produtor recebia R$ 0,99 por litro e em junho o valor chegou a R$1,23. 

O aumento tem refletido nas cotações dos lácteos no mercado varejista. A maior alta foi observada no leite longa vida, que subiu 28,7% comparado com o preço de maio de 2015. “Ao contrário do que parece, a situação para o produtor não está boa, pois a melhora do preço pago tem servido apenas para amenizar a alta dos custos de produção”, explica o técnico do Deral Fábio Mezzadri. 

Segundo Mezzadri, a alta se deve a um conjunto de fatores, como o aumento de preço dos insumos importados, a valorização nas cotações do milho e a pouca oferta de pasto em boas condições. “O frio intenso e as geadas vieram antes do esperado e pegaram os produtores ainda despreparados”, comenta o técnico. 

As pastagens de inverno com aveia e azevém, mais resistentes ao frio, também foram prejudicadas pelo excesso de chuvas logo após o plantio, nos primeiros meses do ano. 

Entressafra

Em plena entressafra, período de queda da produção de leite devido a restrição de alimentos, os produtores terão que gastar ainda mais para manter a produtividade dos rebanhos. 

A ração para os animais corresponde a 40% dos custos totais na atividade leiteira e a valorização do preço do milho pesou muito, pois o grão é um dos principais componentes da dieta das vacas. Em janeiro deste ano o preço do milho estava em R$ 29,60 a saca de 60 quilos e em maio chegou a R$ 39,98, um aumento de 35%. 

No Paraná, terceiro maior produtor de leite, existem 114 mil produtores na atividade, sendo a maioria formada por médios e pequenos. Eles estão concentrados nas regiões Oeste, Sudoeste e dos Campos Gerais e respondem por uma produção de 4,5 milhões de litro/ano. 

O tamanho médio das propriedades é de 32 hectares. Considerando o perfil da maioria dos produtores, a atual situação teve um impacto negativo significativo. 

O último relatório do Deral mostra que as margens de lucro apertadas forçaram muitos produtores a reduzir investimentos, cortar custos e muitos até estão abandonando a atividade. “Existem relatos de altas de até 50% no custo de produção depois da alta do dólar e a disparada do milho”, pondera Mezzadri.

Colaboração AENPr.