27°
Máx
13°
Min

Analistas europeus aprovam acordo da Opep, mas levantam dúvidas sobre o futuro

- Analistas europeus aprovam acordo da Opep, com dúvidas sobre o futuro

Apesar da euforia dos mercados com o primeiro acordo do cartel de petróleo desde 2008 para estancar a baixa dos preços internacionais da commodity, alguns analistas do mercado financeiro europeu começaram a colocar dúvidas na manhã de hoje sobre o futuro do pacto. A primeira reação, todos confirmam até agora, é de alta dos preços não só por causa do corte da produção em si, mas pela primeira sinalização dada de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) se dispôs a ser mais atuante e seus membros decidiram fazer um acordo visando ao benefício geral para o cartel.

Ontem, a organização informou que vai reduzir a produção de 33,2 milhões de barris por dia para um intervalo entre 32,5 milhões e 33 milhões diários. Após a notícia, os contratos dispararam mais de 5%, atingindo a maior valorização diária desde abril. Agora pela manhã, a tendência é de leve baixa tanto na Nymex quanto na Ice num movimento de realização de lucros. Mesmo assim, os preços ainda estão acima dos US$ 45,00, o barril. Para alguns especialistas, sem um acordo da Opep, a tendência era de os preços atingirem US$ 40,00 ou até furarem esse patamar.

Para a equipe do Goldman Sachs, por exemplo, apesar de um impacto inicial positivo de sustentação de preços, o acordo não muda de forma relevante as perspectivas em torno do abastecimento. Em nota a investidores, a instituição informou a revisão das projeções para o WTI em US$ 43,00 o barril no fim deste ano e em US$ 53,00 no encerramento de 2017. Nesta semana, o banco de investimentos havia cortado sua estimativa para o fim do ano, que estava em US$ 50,00 o barril. No caso do Société Générale, a previsão também foi mantida no caso do Brent em US$ 50,00 no quarto trimestre de 2016 e em US$ 60,00 o barril um ano depois.

Mesmo que não afetasse os preços, a primeira avaliação dos economistas sobre o acordo foi a de que, pela primeira vez em dois anos, a Opep e a Arábia Saudita voltaram a apresentar alguma iniciativa no lugar de apenas ficar observando a queda dos preços passivamente. O lado bom dessa análise é a de que ajustes adicionais podem ser feitos daqui para frente e que incertezas criadas nesse mercado por países como Irã, Nigéria e Líbia, por exemplo, podem ser mais facilmente resolvidas.

O Broadcast teve acesso a uma análise interna de uma instituição que chama a atenção para o fato de o acordo excluir os iranianos. Com isso, o corte promovido pelos demais membros da Opep tem de ser maior para atingir a faixa determinada ontem. Além disso, lembrou, a Rússia não se comprometeu com quaisquer cortes. (Célia Froufe, correspondente - celia.froufe@estadao.com)