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Analistas melhoram previsão de inflação para 2016 e 2017, aponta relatório Focus

(Foto: Itaci Batista / Estadão Conteúdo) - Analistas melhoram previsão de inflação para 2016 e 2017
(Foto: Itaci Batista / Estadão Conteúdo)

As projeções do mercado financeiro para a inflação caíram tanto para este quanto para o próximo ano no Relatório de Mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira, 25, pelo Banco Central (BC). De acordo com o documento, a mediana para 2017 saiu de 5,30% para 5,29%. Há um mês estava em 5,50%. Para 2016, a redução foi ainda maior, com a mediana passando de 7,26% para 7,21% de uma semana para outra - a taxa estava em 7,29% quatro semanas atrás.

A meta de inflação deste e do próximo ano é de 4,50% com tolerância de 2 pontos porcentuais (pp) em 2016 e de 1,5 pp em 2017 (também em 2018). No comunicado que se seguiu ao Comitê de Política Monetária (Copom) da semana passada, o BC informou que sua estimativa para o IPCA de 2017 caiu de 5,5% do Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de junho para 5,3% agora pelo cenário de referência. Já no de mercado, a taxa prevista pela instituição recuou de 4,7% para 4,5%, bem no centro da meta a ser perseguida pelo BC.

No caso de 2016, o BC não atualizou no comunicado do Copom suas projeções na semana passada. No RTI, as estimativas estavam em 6,9% pelo cenário de referência e em 7,00% pelo de mercado. Amanhã o BC divulgará a ata da reunião com mais detalhes sobre o que levou o colegiado a manter a Selic em 14,25% ao ano pela oitava vez consecutiva.

Entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do índice no médio prazo, denominadas Top 5, no entanto, a mediana das projeções para este ano subiu de 7,18% para 7,20%. Já para 2017 recuaram de 5,33% para 5,29%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de, respectivamente, 7,29% e 5,30%.

A inflação suavizada 12 meses à frente voltou a ceder, passando de 5,70% para 5,63% de uma semana para outra - há um mês, estava em 5,98%. Estas reduções para prazos mais longos ocorrem apesar de as estimativas para os índices mensais mais próximas ainda estarem resilientes: as de julho continuaram em 0,40% (quatro semanas antes já estavam em 0,40%) e, para agosto, passaram de 0,31% para 0,30% - um mês antes estava em 0,30%.

Preços administrados

As projeções para os preços administrados de 2016 no Relatório de Mercado Focus voltaram a mostrar uma forte queda após a estabilidade verificada na semana passada. De acordo com o documento divulgado pelo Banco Central (BC), a mediana das estimativas saiu de 6,70% para 6,38%. Quatro edições atrás, estava em 7,00%. Vilões da inflação em 2015, ao avançarem 18,07%, no caso de 2017 a mediana das expectativas continuou em 5,50%, onde já se encontra há 11 semanas seguidas.

O BC conta com forte desinflação desse segmento este ano para levar o IPCA para o intervalo de 4,5% a 6,5% em 2016. Nos últimos tempos, o dólar mais baixo também tem mostrado que pode colaborar com esse movimento. A instituição enfatizou no comunicado que se seguiu à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) que a retração econômica pode ajudar nesse processo de desinflação. Enfatizou, porém, que a inflação corrente e as expectativas, ambas elevadas, atuam de outro lado, segurando esse processo.

No Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de junho, a taxa para os preços administrados em 2016 mudou de 6,1% do RTI de março para 6,7%. Na ata do Copom de junho, a estimativa era de 6,8%. Para 2017, a expectativa é de alta de 5,3%, ante 5,0% do último RTI.

Nesta terça-feira, 26, o BC pode atualizar as informações sobre os preços administrados na ata do Copom, que passará por um processo de mudança, conforme já informou a instituição.

IGPs

O Relatório de Mercado Focus mostrou um forte tombo dos Índices Gerais de Preço (IGPs) deste ano. Bastante afetados pelo desempenho do dólar e dos preços dos produtos no atacado, em especial os agrícolas, estes indicadores tendem a ser mais voláteis. No documento, a mediana para o IGP-Di saiu de 9,15% para 8,62%, aproximando-se mais da taxa apontada um mês antes, de 8,55%.

Para o IGP-M, o mercado acredita agora em uma variação de 9,04%, de taxa de 9,23% vista no boletim passado - quatro semanas atrás estava em 8,47%.

Para o ano que vem, as mudanças foram menores: o IGP-DI passou de 5,50% para 5,55% de uma semana para a outra - estava em 5,58% um mês atrás - e o IGP-M recuou de 5,70% para 5,69% (estava em 5,62% quatro semanas antes).

A mediana das previsões para o IPC-Fipe de 2016 apresentou leve recuo de uma edição da Focus para a outra, saindo de 7,54% para 7,53%. Um mês antes, a mediana das projeções do mercado para o IPC era de 7,30%. Já para 2017, as expectativas para a inflação de São Paulo avançaram de 5,30% para 5,31% - um mês atrás, a taxa era de 5,50%.