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Anbima projeta queda de 3,69% do PIB em 2016 e IPCA em 7,32%

Os economistas do Comitê de Acompanhamento Macroeconômico da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) estimam uma queda de 3,69% do PIB este ano, segundo a mediana das projeções apresentadas em evento nesta quarta-feira, 2, em São Paulo. A previsão para o fiscal é de um déficit primário de 1,5% do PIB e um rombo nominal de 9,3%. Com isso, a dívida bruta subirá para 74,9% do PIB no fim deste ano.

Em relação à inflação, a previsão é de alta de 7,32% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), com a Selic estável em 14,25% até o fim do ano e o dólar terminando dezembro a R$ 4,30. O câmbio vai continuar ajudando a balança comercial, que deve ter superávit de US$ 45,4 bilhões, o que levará o déficit em conta corrente a cair para 1,45% do PIB. Para o desemprego, a estimativa é de alta para 10,30%.

Fernando Honorato Barbosa, chefe de pesquisa econômica do Bradesco Asset Management (Bram), comentou que existem sinais incipientes de estabilização no ritmo de queda da atividade, como a melhora na confiança de empresas e consumidores e a redução nos estoques industriais. "A queda nos estoques é instigante, porque talvez a indústria possa parar de decrescer. Mas os sinais ainda são incipientes e ninguém sabe se vai ser suficiente para segurar o PIB", comenta.

Por outro lado, o quadro de incertezas continua, com o impasse no Congresso impedindo a aprovação de medidas fiscais, o que pode gerar mais insegurança e acabar afetando a atividade. Para Barbosa, o ano de 2017 ainda é uma dúvida enorme. "Nós economistas começamos a ver sinais de estabilização no PIB entre o fim deste ano e o começo do ano que vem, mas nossa convicção nessas projeções é baixa", admite.

Já Carlos Kawall, economista-chefe do banco Safra, diz que uma das variáveis mais fáceis de prever este ano é o resultado fiscal, que certamente deve mostrar um rombo maior do que 1% do PIB. Ele conta que pode haver alguma surpresa positiva com a repatriação de recursos no exterior, mas que isso não muda a trajetória de aumento da dívida pública.

Ele vê alguns sinais positivos, como a possibilidade de reforma da Previdência e a proposta de um limite para o crescimento do gasto público. Por outro lado, chama atenção para o risco oriundo das mudanças nas dívidas dos Estados com a União.

Juros

Kawall e o economista Luís Fernando Figueiredo, da Mauá Investimentos, acreditam na possibilidade de cortes de juros ainda neste ano, a partir do segundo semestre. De acordo com os dois, a queda de juros estará sujeita ao arrefecimento do câmbio e da inflação. "No Safra, temos dois cortes de 0,5 ponto porcentual no fim do ano se tivermos uma trajetória tranquila de câmbio e os preços comercializáveis não incomodarem", disse Kawall.

Para Figueiredo, a queda de juros poderá entrar no cenário na segunda metade do anos se a inflação tiver numa trajetória de menor pressão. "Mas essa não é nem deve ser a preocupação do BC, que não tem que pensar na trajetória toda da taxa de juros. Isso é uma preocupação nossa, operadores, que temos que pensar a trajetória de juros toda. O BC pode mudar a trajetória quando quiser", disse o sócio da Mauá que também participou do evento em São Paulo.

Barbosa, da Bram, também entende que se as variáveis influentes na política monetária mudarem, o BC pode mudar sua cabeça.

Já o economista-chefe para a América Latina do Banco BNP Paribas, Marcelo Carvalho, não vê espaço para queda de juros neste ano, Mas acredita que o BC vai sofrer muita pressão para derrubar a taxa básica de juros.

Para Figueiredo, pela ótica da demanda, não teria sentido subir juros agora. Isso porque a taxa de juro real já é contracionista. Por outro lado, como uma ferramenta para recuperar a credibilidade do Banco Central, talvez fizesse sentido apertar a política monetária. "Eu não sei qual é o mais correto, mas tendo a ficar com a opção de não subir juro", comentou durante o evento da Anbima, onde integra o Comitê de Acompanhamento Macroeconômico.

Figueiredo acredita que a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) deve ser unânime na reunião desta quarta-feira pela manutenção da Selic, com os dois diretores que votaram pela alta na reunião passada convergindo para a estabilidade. "O comunicado deve ser mais duro, dizendo que não há queda de juros agora", comentou.

Segundo ele, de janeiro para cá a inflação de curto prazo ficou um pouco mais alta, o que indica que o BC deveria ficar mais atento. Enquanto isso, no ambiente externo se consolidou o cenário de incertezas, enquanto em termos de atividade doméstica também pioraram as projeções de crescimento. "Isso cria um momentum para a convergência dos diretores do Copom para a manutenção dos juros", afirma.