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Antiga aposta de 'campeã nacional', Oi tenta renegociar dívida para sobreviver

Uma das grandes apostas do governo federal de "campeã nacional", a operadora de telefonia Oi vive uma crise financeira aguda - a mais grave desde a sua origem, com a privatização da Telebrás, em 1998. Com dívida bruta de R$ 54,9 bilhões e prejuízo de R$ 5,3 bilhões ao fim de 2015, a maior concessionária de telefonia fixa do País está em um tenso processo de reestruturação financeira. Os seus principais credores não se entendem, o que pode comprometer o futuro da empresa, apurou a reportagem.

Na tentativa de fechar, o quanto antes, uma proposta para equalizar a dívida, a Oi acaba de contratar o banco americano Moelis para negociar com os seus credores, dizem fontes próximas à operação. Esta pode ser uma das últimas cartadas da empresa para evitar uma recuperação judicial, considerada cada vez mais factível. Procuradas, a Oi e Moelis não comentaram.

A expectativa da operadora seria fechar um acordo com os credores até o fim de julho, quando vence uma dívida de R$ 1 bilhão em títulos externos. Os credores internacionais respondem por 70% das dívidas da empresa - e, para conseguir começar a resolver seu imbróglio financeiro, a Oi precisa fazer esse grupo heterogêneo concordar com uma proposta de renegociação.

Caso as tratativas fracassem, pessoas do mercado financeiro avaliam que a Oi corre o risco de enfrentar um "apagão", podendo ficar sem recursos para manter as atividades - a empresa tem um gasto operacional de R$ 6 bilhões por ano. Fontes ligadas à tele negam essa possibilidade, embora admitam que a empresa possa recorrer a uma eventual recuperação judicial.

A Oi já havia contratado, no fim de 2015, a consultoria americana PJT Partners para fazer uma reestruturação financeira da companhia, ao perceber que a esperada consolidação com a TIM Brasil, controlada pela Telecom Itália, poderia naufragar. A tele tem ainda a ajuda da também americana D.F. King, responsável por identificar todos os credores internacionais.

Não há, neste momento, conversas para a entrada de novos investidores - sejam fundos tradicionais ou especializados em ativos em dificuldades. "A prioridade é reestruturar a dívida", disseram ao Estado duas fontes ligadas à Oi.

Até pouco tempo atrás, a operadora tinha esperança de que o fundo russo LetterOne, do bilionário Mikhail Fridman, injetasse até US$ 4 bilhões no negócio. Mas a operação estava condicionada à fusão de Oi e TIM, descartada em fevereiro, quando a Telecom Itália vetou a transação.

Dona de trajetória turbulenta, iniciada por um escândalo durante a privatização da Telebrás, trocas frequentes de comando e, mais recentemente, por uma fusão malsucedida com a Portugal Telecom, a Oi tenta, agora, sobreviver.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.