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Aporte em infraestrutura é essencial para fim da recessão, diz Gesner Oliveira

O aumento no volume dos investimentos em infraestrutura será fundamental para que o País saia do cenário recessivo, afirmou na manhã desta quarta-feira, 2, o sócio da GO Associados e professor da Fundação Getulio Vargas, Gesner Oliveira, durante encontro da série Fóruns Estadão, com o tema "Infraestrutura - Inovação para o Crescimento".

"Se confirmadas as projeções de crescimento para 2015 e as estimativas para 2016, 2017 e 2018, teremos praticamente a estagnação da economia", ressaltou Oliveira. Para o especialista, a recuperação econômica não poderá ocorrer pelo aumento no consumo, dadas as perspectivas de retração nesse tipo de atividade, ou pelo aumento de gastos do governo, em função da situação delicada das contas públicas.

"O setor externo, felizmente, tem mostrado uma boa reação, mas não é suficiente para recuperar sozinho a economia. Portanto, o investimento em infraestrutura é fundamental", disse Oliveira, ressaltando que a taxa de investimentos em infraestrutura no Brasil ainda é baixa em comparação com países como China e Índia.

Segundo o sócio da GO Associados, para aumentar o nível de investimentos no Brasil é necessário que ocorram parcerias entre governo e setor privado. "Apesar da crise, verificamos parcerias em vários segmentos, anunciadas em diários oficiais. Há apetite para parcerias", ressaltou. "Há tanta demanda reprimida por infraestrutura que, apesar dos indicadores econômicos desfavoráveis, há atratividade em certos investimentos".

Oliveira ainda afirmou que é necessário o vencimento de três barreiras que possibilitarão o aumento nos investimentos, com segurança: o aumento de recursos, a existência de garantias adequadas e a desburocratização do setor.

Em sua apresentação, Oliveira usou o setor de saneamento para exemplificar as dificuldades em infraestrutura no Brasil. "Não temos a universalização no acesso à água tratada, metade da população não tem coleta de esgoto, pouco mais de 40% possui tratamento do esgoto gerado. Perdemos, em média, 37% da água", ressaltou.

De acordo com o especialista, se mantido o atual ritmo de investimentos no setor, a universalização dos serviços de saneamento se dará apenas em 2052.