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Após maior queda da série no varejo no semestre, IBGE evita falar em retomada

Apesar dos sinais positivos, o varejo ainda não vive um momento de recuperação, mas sim de redução no ritmo de queda das vendas, avaliou Isabella Nunes, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O volume vendido pelo setor teve ligeira alta de 0,1% em junho ante maio, após a queda de 0,9% registrada no mês anterior, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Comércio.

"Não houve melhora substancial ainda. Na margem a gente vê redução no ritmo de queda, um recuo menor do que nos meses anteriores. Mas os indicadores acumulados, que dão a tendência, ainda têm recorde de queda, tanto no acumulado no ano e quanto no acumulado em 12 meses", disse Isabella.

Queda mais acentuada da série

A redução de 7,0% registrada pelo volume vendido no primeiro semestre foi a mais acentuada da série histórica, iniciada em 2001. O recuo de 6,7% acumulado em 12 meses também foi o maior já visto.

O varejo opera 11,9% abaixo do pico de vendas registrado em novembro de 2014. Já o varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, trabalha 19,7% abaixo do pico registrado em agosto de 2012.

"Falar em recuperação seria, no mínimo, precipitado", alertou Isabella.

No entanto, na passagem de maio para junho, o desempenho das vendas (0,1%) foi o melhor dos últimos três anos para o período. A queda de 5,3% em junho ante junho foi a 15ª taxa negativa consecutiva, mas menos intensa do que as registradas nos meses anteriores.

"Isso é um resultado bom para quem estava em trajetória descendente. Ele dá uma parada nessa trajetória, forma um quadro mais próximo à estabilidade", contou a pesquisadora do IBGE.

Supermercados

A deterioração no mercado de trabalho e a inflação de alimentos estão prejudicando as vendas do setor de supermercados, segundo Isabella Nunes.

A atividade acumulou uma queda de 3,6% no volume vendido no primeiro semestre do ano, o pior desempenho (incluindo primeiros e segundos semestres) desde o primeiro semestre de 2003, quando a retração alcançou 6,7%.

"É uma atividade que concentra uma parcela maior do consumo das famílias, em especial das famílias de baixa renda. Se você tem redução da renda, aliada a uma pressão inflacionária, que é o que está acontecendo aqui, isso traz impacto para o setor de alimentos e bebidas", afirmou Isabella.

A atividade de supermercados responde por cerca de 50% das vendas do varejo e 30% do varejo ampliado, que inclui também os segmentos de veículos e material de construção. Como tem peso importante para a taxa global do varejo, Isabella reconhece que a retomada das vendas passa também por uma recuperação dos supermercados.

Em relação a junho de 2015, o volume vendido pelo setor supermercadista encolheu 2,9%. Na comparação com maio, o recuo foi de 0,4%.

Embora as expectativas sinalizem melhora para a atividade econômica, a gerente da pesquisa afirma que os avanços recentes não são suficientes para que se traduzam em consumo de fato. O setor seria mais sensível à evolução do mercado de trabalho do que aos indicadores de confiança.

"Os sinais ainda não se traduziram em consumo", afirmou Isabella. "Não basta só expectativa para fazer consumo, basta renda", resumiu.

Isabella lembrou que a renda do consumidor continua em queda, assim como os postos de trabalho com carteira assinada e a massa de salários pagas aos trabalhadores.

"A massa salarial é um resumo do mercado de trabalho, ela é um resumo do dinheiro em circulação na economia", disse a pesquisadora, lembrando que o crédito mais caro também prejudica o desempenho do varejo.

Inverno e Dia dos Namorados

A chegada de um inverno mais rigoroso que nos anos anteriores e a troca de presentes estimulada pelo Dia dos Namorados beneficiaram alguns setores do comércio varejista em junho. O aumento no volume vendido de bens como roupas e cobertores ajudou a amortecer a tendência de queda no varejo, apontou Isabella Nunes.

"Com a chegada de junho tem a chegada do inverno, então tem maior demanda por agasalho, edredom, roupa", citou Isabella. "Além disso junho tem as datas festivas que beneficiam essas atividades de venda de vestuário e calçados."

As vendas de tecidos, vestuário e calçados aumentaram 0,7% em junho ante maio, enquanto o setor de outros artigos de uso pessoal e doméstico, que inclui as lojas de departamento, avançou 0,8%. A atividade de livros, jornais, revistas e papelaria também ficou no azul, com expansão de 0,6%, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Comércio.

"O inverno e as festas de junho beneficiam algumas atividades. Elas não têm capacidade para reverter uma crise, mas amortecem a queda em junho. O movimento não muda o quadro (no varejo), mas beneficia setores que comercializam esse tipo de consumo", avaliou a gerente do IBGE.

O comércio varejista registrou ligeira alta de 0,1% em junho ante maio, após a redução de 0,9% verificada no mês anterior.

Trimestre

As vendas no comércio varejista encolheram 0,4% no segundo trimestre ante o primeiro trimestre do ano, segundo os dados do IBGE. Na comparação com o segundo trimestre de 2015, o volume vendido diminuiu 7,1%.

No varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, as vendas recuaram 2,2% no segundo trimestre ante o primeiro trimestre de 2016. Em relação ao segundo trimestre do ano passado, o varejo ampliado teve retração de 9,3% no segundo trimestre deste ano.