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Arranjos Produtivos de TI crescem 30% e empregam 18 mil pessoas no Paraná

(Foto: Bruno Fortuna/Fotos Públicas) - Arranjos Produtivos de TI crescem 30% e empregam 18 mil pessoas no PR
(Foto: Bruno Fortuna/Fotos Públicas)

Enquanto muitos setores patinam com a retração da economia, o setor de Tecnologia de Informação (TI) do Paraná, impulsionado pelos Arranjos Produtivos Locais (APLs), aumenta negócios, cria empregos e investe em inovação. Com crescimento médio de 20% a 30% ao ano, o setor empresa 18 mil pessoas em todo o Paraná. Nos últimos quatros anos, ampliou em 75% o número de empregos. 

O Estado tem seis Arranjos Produtivos Locais na área de TI, localizados nas regiões de Curitiba, Londrina, Maringá, Campos Gerais, Sudoeste e Oeste. Os APLs se caracterizam por ser uma aglomeração de empresas com a mesma atividade produtiva e que operam em um modelo de colaboração mútua, que pode ser desde a compra conjunta de insumos até uma estratégia em comum para prospecção e clientes ou para capacitação técnica. 

A rede de APLs, formada pelas empresas, Governo do Estado, universidades estaduais em parceria com a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) e Sebrae, ajuda, ainda, a capacitar, promover inovação e a desenvolver lideranças.

Crescimento

Um levantamento do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico Social (Ipardes), com base nos dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), mostra que, em 2010, o setor de TI empregava 10,6 mil pessoas com carteira assinada no Estado. Em 2014, último dado disponível, o volume estava em 18,6 mil – um avanço de 75% do emprego do setor no período. 

Mesmo a partir de 2015, quando a crise econômica brasileira se intensificou, o ritmo de geração de vagas se mantém. De janeiro de 2015 até maio de 2016, o setor acumula um saldo positivo – entre admissões e demissões – de 372 vagas de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do MTE. 

“É inegável a participação dos APLs nesse resultado, porque os municípios que lideram os arranjos são os que mais se destacam na geração de vagas. Os APLs estão tornando as economias regionais menos vulneráveis à crise e esses segmentos econômicos mais sólidos”, diz o diretor presidente do Ipardes, Julio Suzuki Júnior. Curitiba, Londrina e Maringá são as cidades que mais empregam no setor de TI no Estado.

Ambiente Propício

De acordo com o coordenador de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Evandro Razzoto, o Paraná soube criar um ambiente propício para o desenvolvimento do setor, porque os APLs funcionam por meio da cooperação entre governo, universidades e as empresas. “As instituições de ensino formam mão de obra e servem de incubadoras para novas empresas. Com essa combinação, o setor gera renda, emprego e desenvolvimento”, lembra. 

Atualmente são cinco mil empresas no Estado. A maioria das cinco mil empresas ativas no Estado é de pequeno e médio portes, de acordo com o presidente da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro) no Paraná, Sandro Molés da Silva. “Em média, a cada cinco anos essas empresas dobram de tamanho. E isso vem ocorrendo mesmo com a crise econômica”, diz. 

Aumentar eficiência

Um dos motivos para esse resultado é que a recessão tem obrigado as empresas a buscarem formas de reduzir custos, aumentar eficiência e racionalizar processos, o que impulsiona os negócios das empresas de TI. “As empresas buscam, geralmente, combater a crise de duas formas. A primeira, tentando vender mais, o que está difícil. A segunda, é buscar eficiência, produtividade e redução de custos. E aí entram as empresas de TI ”, acrescenta Silva.

Negócios

Integrante do APL de Ponta Grossa, nos Campos Gerais, a DF Systems, especializada em desenvolvimento de software de educação para as áreas de agronegócio e educação, prevê crescer 25% em 2016 e já contratou 15 pessoas desde o início do ano. Atualmente são 50 empregados, de acordo com o diretor de tecnologia, Adriano Krzyuy. “A procura por serviços de TI aumenta na crise. As empresas buscam soluções para reduzir seus custos e melhorar eficiência. Até o fim do ano vamos contratar mais gente para atender nossos contratos”, diz. 

Na região de Maringá, as 250 empresas que fazem parte do APL crescem, em média, 24% ao ano, de acordo com Edney Marcos Mossambani, coordenador do APL. Ele diz que o APL promove trocas de informações sobre desempenho e produtividade das empresas, o que ajuda a melhorar a qualidade dos serviços. “O objetivo, no longo prazo, é transformar o Paraná em referência nacional em TI”, diz. 

Central de Inovação

Os APLs também ajudam a abrir novos mercados. O APL de TI de Londrina, por exemplo, criou uma central que ajuda as empresas a contratar serviços e a prospectar negócios. A Central de Inovação e Desenvolvimento de Negócios Tecnológicos (Cintec) já reúne 42 empresas, de acordo com o presidente do APL de Londrina, Luís Carlos de Albuquerque Silva. “Hoje empresas daqui prestam serviços para outros Estados e países”, diz. O APL da região abrange nove municípios em uma rota que vai de Cornélio Procópio a Apucarana e já envolve 1,2 mil empresas. 

Colaboração Agência Estadual de Notícias