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Arteb pede recuperação judicial e demite 220 trabalhadores, diz sindicato


O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC informou nesta sexta-feira, 12, que a fabricante de autopeças Arteb, sediada em São Bernardo do Campo, demitiu na quinta-feira, 11, 220 trabalhadores, depois de ter entrado com pedido de recuperação judicial. Ainda segundo o sindicato, a empresa recorreu à recuperação judicial por não ter conseguido crédito para salvar suas finanças. A reportagem tentou entrar em contato com a Arteb, por meio de telefone, mas não obteve resposta.

Agora, o sindicato pretende se reunir com os trabalhadores na próxima semana para analisar as alternativas e "evitar um prejuízo maior". O presidente do sindicato, Rafael Marques, chegou a dizer que "a notícia, além de assustar, deixa a categoria em alerta". A empresa conta com 1,3 mil trabalhadores e é líder na fabricação de sistemas de iluminação automotiva.

Até ano passado, a Arteb mantinha duas unidades, uma em Diadema e outra em São Bernardo do Campo. A fábrica de Diadema teve de ser fechada e toda a operação foi concentrada em São Bernardo do Campo. Com o pedido de recuperação judicial, a empresa pretende evitar a falência. Uma empresa faz o pedido de recuperação judicial quando perde a capacidade de pagar as suas dívidas.

A notícia surge em meio a uma crise do setor automotivo no Brasil. No ano passado, as montadoras, que são os principais clientes das fabricantes de autopeças, registraram queda de 22,8% na produção de veículos novos em relação ao volume produzido em 2014, em razão dos fracos resultados nas vendas, que caíram 26,5% na mesma comparação. Logo no primeiro mês de 2016, os dados mostraram quedas ainda mais intensas. A produção recuou 29% ante janeiro de 2015 e as vendas tiveram baixa de 38%.

Com isso, o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) estima que suas associadas terminaram 2015 com um faturamento nominal de R$ 63,2 bilhões, recuo de 17,7% em relação a 2014. A retração resultou no fechamento de 29,8 mil postos de trabalho. A previsão do Sindipeças para 2016 é que mais 8,4 mil empregos sejam eliminados.