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Ata do Copom repete que demanda agregada seguirá moderada no horizonte relevante

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta quinta-feira, 16, pelo Banco Central (BC) repetiu a avaliação de que a demanda agregada continuará a se apresentar moderada no horizonte relevante para a política monetária, ou seja, nos próximos dois anos.

Repetindo exatamente o parágrafo 31 do documento passado - de número 33 no documento de hoje -, a diretoria do BC citou que, de um lado, o consumo das famílias tende a ser influenciado por fatores como emprego, renda e crédito. De outro, de acordo com o colegiado, a concessão de serviços públicos e a ampliação da renda agrícola, entre outros, tendem a favorecer os investimentos.

Mais uma vez, houve a avaliação de que as exportações líquidas apresentam melhor resultado, seja pelo aumento das exportações, beneficiadas pela depreciação do real, seja pelo processo de substituição de importações em curso.

"Para o Comitê, os efeitos conjugados desses elementos, o desenvolvimento nos âmbitos fiscal, parafiscal e no mercado de ativos e, neste ano, a dinâmica dos preços administrados, o processo de distensão no mercado de trabalho e a perspectiva de um hiato do produto mais desinflacionário que o inicialmente previsto são fatores importantes do contexto em que decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vistas a assegurar a convergência da inflação para a meta de 4,5% estabelecida pelo CMN, em 2017", trouxe o documento.

Ritmo 'baixo' de expansão

A ata passou a classificar mesmo como "baixo" o ritmo de expansão da atividade doméstica neste ano. Até então, o colegiado afirmava que o crescimento econômico em 2016 era apenas "inferior ao previsto anteriormente".

Para o Banco Central, os indicadores disponíveis mostram que as taxas de crescimento da absorção interna e do PIB continuam a se ajustar em conformidade com o processo de ajuste macroeconômico em curso.

O Copom manteve a avaliação de que o baixo ritmo da atividade está sendo intensificado pelas incertezas decorrentes de eventos não econômicos. A ata volta a destacar que o investimento está retraído, bem como o consumo privado. O colegiado repetiu que a atividade tende a se intensificar à medida que a confiança de empresas e famílias se fortaleça.

O documento trouxe novamente o trecho em que avalia que a depreciação do real milita no sentido de torná-lo mais favorável ao crescimento da economia brasileira. "Pelo lado da oferta, o Comitê avalia que, em prazos mais longos, emergem perspectivas mais favoráveis à competitividade da indústria e da agropecuária. O setor de serviços, por sua vez, tende a crescer a taxas menores do que as registradas em anos recentes", repetiu a ata.

Concessão de crédito

A ata do Copom repetiu na íntegra o parágrafo que trata do mercado de crédito. "O Copom destaca que o cenário central contempla moderação do crédito, o que já havia sido observado e tende a persistir", trouxe o documento.

A diretoria do BC ressaltou que, após anos em forte expansão, o mercado de crédito voltado ao consumo passou por moderação. A ata lembra que, nos últimos trimestres, observaram-se a redução de exposição por parte de bancos e a desalavancagem das famílias.

"No agregado, portanto, infere-se que os riscos no segmento de crédito ao consumo vêm sendo mitigados", destacaram os diretores no documento. O BC voltou a enfatizar que é "oportuno" continuar reforçando as iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito.

Choques temporários em Alimentação

A ata trouxe também a avaliação de que o elevado patamar da inflação em 12 meses também decorre "dos choques temporários de oferta no segmento de alimentação". No documento anterior, o Banco Central creditava essa resistência da inflação apenas aos processos de ajustes de preços relativos ocorridos em 2015, além do processo de recomposição de receitas tributárias observado nos níveis federal e estadual, no início deste ano.

O colegiado voltou a reconhecer os avanços na política de combate à inflação, em especial a contenção dos efeitos de segunda ordem dos ajustes de preços relativos.

O documento reiterou, contudo, que o nível elevado da inflação em doze meses e as expectativas de inflação distantes dos objetivos do regime de metas não oferecem espaço para flexibilização da política monetária. Na semana passada, o Copom manteve a taxa Selic em 14,25% ao ano pela sétima reunião consecutiva.

Dinâmica salarial

A ata do BC repetiu inteiramente o parágrafo no qual o colegiado avalia que a dinâmica salarial permanece originando pressões inflacionárias de custos, embora tenha havido recentemente variações reais de salários condizentes com as estimativas de ganhos de produtividade do trabalho.

Assim como em notas anteriores, o Banco Central destaca que, apesar da margem de ociosidade no mercado de trabalho encontrar-se elevada, ainda prevalece um risco significativo relacionado à possibilidade de concessão de elevados aumentos de salários nominais. Para o Copom, esses reajustes podem ter repercussões negativas sobre a inflação.